Agro cresce 2,8% e segura avanço do PIB brasileiro no segundo trimestre
A agropecuária foi o setor que mais cresceu na economia brasileira no segundo trimestre de 2026 e ajudou a sustentar o avanço do PIB (Produto Interno Bruto) em um período marcado pela perda de ritmo dos serviços, da indústria e do consumo das famílias.
Dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a agropecuária cresceu 2,8% entre abril e junho na comparação com os três primeiros meses do ano. Foi o melhor desempenho entre os três grandes setores da economia.
O resultado também representa aceleração em relação ao primeiro trimestre, quando o agro havia avançado 2,3%. Na direção oposta, os serviços cresceram apenas 0,2%, enquanto a indústria teve variação de 0,1%, ambas taxas próximas da estabilidade.
No conjunto, a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre frente ao trimestre imediatamente anterior. O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que apontava avanço de 0,4%, mas confirmou uma desaceleração depois da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.
A perda de ritmo aparece com mais força na indústria. O setor havia crescido 1,2% no primeiro trimestre e praticamente parou entre abril e junho. Dentro da atividade industrial, houve retração de 1,1% em eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos. A indústria de transformação e a construção recuaram 0,4% cada.
Os serviços, responsáveis pela maior parcela do PIB brasileiro pelo lado da oferta, também perderam força. A alta caiu de 0,4% no primeiro trimestre para 0,2% no segundo, menor resultado desde o último trimestre de 2024, quando o setor ficou estável.
Pelo lado do consumo, os sinais também foram de enfraquecimento. O consumo das famílias caiu 0,4% depois de ter aumentado 0,8% no primeiro trimestre. A última retração desse componente havia ocorrido no terceiro trimestre de 2025.
Os investimentos produtivos, medidos pela FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), ainda cresceram 1,2%, mas também desaceleraram. Nos três primeiros meses do ano, a alta havia sido de 3,4%.
O desempenho ocorre em meio a juros ainda elevados. Apesar dos cortes promovidos pelo BC (Banco Central), a taxa Selic chegou a agosto em 14% ao ano. O crédito caro tende a reduzir o consumo das famílias e dificultar investimentos das empresas, enquanto o endividamento também funciona como freio adicional à atividade econômica.
No comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% em relação ao trimestre anterior, enquanto as importações cresceram 1,8%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, porém, as exportações avançaram 3,8%, movimento explicado principalmente pela extração mineral, pela agropecuária e pelos produtos alimentícios.
Para 2026, a mediana das projeções do mercado financeiro indica crescimento de 1,92% do PIB. Se a estimativa se confirmar, será a primeira expansão anual abaixo de 2% desde 2020.
Campo Grande News
(Foto: Semadesc)n
