Contas do governo de 2025 são aprovadas com ressalvas pelo TCE
As contas do governo de Mato Grosso do Sul de 2025 foram aprovadas com ressalvas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). De acordo com o relatório, o Estado não cumpriu as metas fiscais previstas na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e a previdência é considerada o ponto mais sensível das contas apresentadas pelo governador Eduardo Riedel (PP).
O documento foi analisado pelo procurador-geral do Ministério Público de Contas, João Antônio de Oliveira Martins Júnior. Os demonstrativos apontaram déficit de R$ 438,565 milhões no Resultado Primário e de R$ 508,335 milhões no Resultado Nominal.
De acordo com o relator, no último ano a meta previa um superávit das contas públicas e terminou o ano deficitário. “Embora as receitas primárias tenham superado a previsão, as despesas primárias cresceram em patamar mais elevado, produzindo resultado negativo. Esse quadro não pode ser ignorado, o descumprimento das regras fiscais revela descompasso entre planejamento e execução orçamentária e exige da administração reavaliação das despesas”, apontou o procurador-geral.
O parecer ainda aponta a previdência como ponto mais sensível das contas do governo. O fundo de capitalização do MS Prev encerrou o exercício com resultado negativo de aproximadamente R$ 958 milhões. Para cobrir essa insuficiência, o tesouro estadual precisou aportar cerca de R$ 960 milhões.
Segundo o relator, o “quadro não é de um sistema em colapso formal”, já que há regularidade da atuação institucional. “Há uma pressão fiscal significativa: o sistema continua funcionando à custa de esforço financeiro crescente, permanente e estruturalmente pesado. Isso significa que o tesouro não atua apenas como supervisor do regime, já é fonte direta de sustentação do desequilíbrio financeiro anual”, descreveu.
A Corte aponta que a solução do problema depende da implementação do plano de amortização previsto em legislação de 2024. “O diagnóstico é claro, há regularidade formal, mas também forte tensão fiscal. Não se trata de descontrole administrativo. Trata-se de um modelo cuja sustentabilidade exigirá disciplina fiscal prolongada e acompanhamento permanente pelo controle externo”, detalha o relator.
Outra ressalva apresentada pelo TCE é em relação ao repasse feito a instituições que têm autonomia financeira e recebem duodécimo. Segundo o relatório, a prestação de contas apresentou os valores fixados, atualizados e repassados à Assembleia Legislativa, TCE, Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual e Defensoria, mas não demonstrou a metodologia nem a memória de cálculo utilizada para a fixação dos limites das propostas orçamentárias e dos respectivos duodécimos.
Os repasses de duodécimos aos Poderes e órgãos autônomos totalizaram R$ 3,453 bilhões, respeitando também a dotação global atualizada.
“Não se afirmou a irregularidade dos repasses, mas se reconheceu que a falta de critérios formalizados e verificáveis impediu uma avaliação técnica e plena sobre o tema”, justificou o procurador-geral. A recomendação da Corte é que, nos próximos exercícios, o governo do Estado explicite, de forma clara, os critérios, parâmetros, base de cálculo, limites, forma de repasse e eventual devolução desses valores.
O gasto com pessoal, uma das principais pressões da folha ao longo de 2025, ficou abaixo do limite previsto pela Lei de Responsabilidade fiscal. Segundo a prestação de contas, despesa com pessoal do Executivo atingiu R$ 9,750 bilhões, abaixo do limite máximo de 49%, mas acima do limite de alerta de 44,10%.
Nas áreas de educação e saúde, o Estado cumpriu os limites constitucionais essenciais. Foram aplicados 30,90% da receita base em educação e 12,27% em saúde, acima dos percentuais mínimos obrigatórios de 25% e 12%, respectivamente.
Diante das inconsistências formais apontadas, o Tribunal acompanhou o voto do relator pela aprovação com ressalvas das contas anuais do Governo do Estado. O parecer aprovado pelos conselheiros servirá de subsídio técnico para o julgamento definitivo da Assembleia Legislativa.
(Foto: TCE/ Mary Vasques(
Campo Grande News
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