A medida, que deve ser oficializada ainda hoje, representaria uma renúncia fiscal de R$ 60 milhões no bimestre, com o objetivo de frear o impacto da escalada de preços do combustível na economia local, onde o valor médio superou R$ 7,00 após alta de 20% em três meses.
Segundo Riedel, a discussão é necessária para “diminuir o impacto para a sociedade dessa escalada de diesel”.
Benefício sob fiscalização
A proposta surge em um momento em que a gestão estadual monitora a transição para o modelo nacional da reforma tributária.
O governador destacou que o sistema de incentivos deve ser extinto gradualmente. “Como essas serão permitidas, a partir do ano que vem, provavelmente acabou. Porque a reforma tributária está convergindo para um modelo nacional único e sem incentivo”, disse.
Riedel também demonstrou preocupação com o repasse da desoneração ao consumidor final, anunciando uma atuação rigorosa do Procon e de agências reguladoras.
“A fiscalização, através do Procon, através das nossas agências, está sendo extremamente rigorosa. Isso é importante ressaltar também, para não permitir que haja abuso por parte de alguns empresários”, afirmou.
Equilíbrio orçamentário
Para compensar a perda de receita, o Governo do Estado reforçará o contingenciamento de gastos internos. De acordo com o governador, o ajuste virá de “um pouquinho de cada área”, mencionando cortes em viagens, diárias e combustível da frota oficial.
“É uma engenharia complexa, mas a gente está olhando isso para poder gerar essa economia em contraponto à perda de receita que a gente vai ter”, explicou.
A decisão ocorre após o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda), presidido pelo secretário de Fazenda de MS, Flávio César, manifestar-se contra a redução linear nos estados. No entanto, dias depois, Riedel confirmou que avaliaria a contraproposta da União e que o tema será debatido nesta segunda-feira (30).
“Todas as análises pela Secretaria de Fazenda já estão feitas. A gente tende a dar o benefício por dois meses, por mais que isso também impacte na nossa receita, mas num momento onde a pressão sobre o valor do diesel é muito grande, nós chegamos a bater hoje 150 dólares o barril de petróleo, fora uma guerra completamente fora do nosso alcance ou capacidade de interferência. Mas a consequência prática aqui é o diesel subindo na bomba, na distribuidora. E o diesel não afeta diretamente o cidadão, considerando que o número de carro de passeio a diesel é pequeno, mas ele afeta o custo de produção. E chega lá no cidadão pelo custo de produção, do transporte, da logística, do caminhão, da produção de uma maneira geral. Então, a gente tende a dar esses dois meses de redução”, garantiu.
Como presidente do Consórcio Brasil Central, Riedel pontuou que o grupo passa por um momento de transição, com a saída de seis dos sete governadores para a disputa eleitoral.
“Eu pedi para fazer a primeira reunião do Brasil Central depois desse momento, porque serão com seis outros novos governadores”, disse.
Indicadores sociais
Durante a agenda, o governador vinculou a política fiscal aos resultados sociais do Estado, que registra o menor índice de pobreza extrema de sua história.
“Administrar é fazer escolha. Escolha que eu sempre estarei ao lado de quem faz a roda da economia girar, acreditando que o emprego e a renda é o melhor programa social que tem, junto com educação, junto com política pública que pega pessoa que não acessou emprego e renda e traga ela para dentro desse processo todo dia”, concluiu.
A definição oficial sobre o novo valor da alíquota e o decreto de redução devem ser publicados após as reuniões de monitoramento, previstas para a tarde de hoje.
(Pietra Dorneles)
Midiamax
