Esquema de R$ 736 milhões da ‘folha paralela’ no TCE-MT mirou em empresa com filial em MS
Conforme a PF, o esquema movimentou ao menos R$ 736 milhões, que teriam sido usados para abastecer uma “folha paralela” de pagamentos a conselheiros e servidores do órgão.
A ação investiga suposto esquema que consistia na suspensão de contratos para pressionar fornecedores a pagarem propinas para liberação de pagamentos. O presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo, o procurador Grhegory Paiva Pires e outros quatro servidores foram presos. Outros dois membros do tribunal foram afastados por ordem do STJ (Superior Tribunal de Justiça): os conselheiros Guilherme Maluf e Alisson Alencar.
O levantamento da PF identificou aumento expressivo nos repasses a algumas empresas. Uma delas é a Zimmermann, que teve crescimento de 291%, segundo cálculos apresentados pelos investigadores e divulgados pelo jornal Estadão Mato Grosso.
A suspeita é de que o TCE-MT suspendia contratos com fornecedores, permitindo que os pagamentos continuassem apenas às empresas que aceitassem repassar parte dos recursos aos integrantes do grupo investigado.
Caso tudo seja confirmado, os investigados podem responder pelos crimes de corrupção, desvio de recursos públicos e organização criminosa.
Além das duas cidades em MS, as autoridades cumpriram buscas em cidades de SP e MT, nas quais apreenderam itens de luxo, como carros importados, relógios, vinhos e até notas de euro.
Em nota assinada pelo vice-presidente do TCE-MT, conselheiro Waldir Júlio Teis, o tribunal informou que adotará as providências para o cumprimento das decisões de afastamento do STJ e continuará com os trabalhos institucionais regularmente. Por fim, a Corte disse que “seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo”.
A reportagem tentou contato telefônico e por e-mail com a Zimmermann, mas não obtivemos retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
(Divulgação, PF)
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