Etanol em alta e celulose em baixa expõem contrastes da indústria de MS
Dois setores estratégicos para a economia de Mato Grosso do Sul apresentaram movimentos opostos nos preços industriais brasileiros em setembro. Enquanto o segmento de refino de petróleo e biocombustíveis registrou alta de 4,88%, a indústria de celulose, papel e produtos derivados teve queda de 1,41%, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
RESUMO
Dois setores importantes para Mato Grosso do Sul tiveram preços industriais opostos em setembro, segundo o IBGE. O refino de petróleo e biocombustíveis subiu 4,88%, segunda maior alta entre 24 atividades, impulsionado por etanol, gasolina e derivados. A celulose e o papel recuaram 1,41%. O IPP geral avançou 1,54%. O levantamento é nacional e não traz dados específicos do Estado, o que impede afirmar que usinas e fábricas locais tiveram as mesmas variações.
Os resultados fazem parte do IPP (Índice de Preços ao Produtor), que mede a variação dos preços recebidos pelas indústrias na venda de seus produtos. Em setembro, o indicador geral avançou 1,54%, acumulando alta de 5,04% desde o início do ano.
A diferença entre os dois setores chama atenção pelo peso que ambos possuem na estrutura produtiva de Mato Grosso do Sul. O Estado concentra usinas de produção de etanol e unidades industriais de celulose, atividades que movimentam investimentos, exportações e empregos.
No segmento de refino de petróleo e biocombustíveis, a alta de 4,88% foi a segunda maior entre as 24 atividades industriais pesquisadas, atrás apenas das indústrias extrativas, que registraram aumento de 11,04%.
O setor respondeu por 0,46 ponto percentual da variação geral de 1,54% observada em setembro. Entre os produtos com influência positiva sobre os preços industriais aparecem o etanol anidro e hidratado, além da gasolina e de derivados de petróleo.
No acumulado de 2026, os preços da atividade de refino e biocombustíveis subiram 4,52%. Na comparação com setembro do ano passado, a elevação foi de 3,34%.
A variação nacional abre espaço para investigar o comportamento dos preços praticados pelas usinas de Mato Grosso do Sul, especialmente diante da importância da produção de etanol de cana-de-açúcar e de milho no Estado.
O aumento dos preços recebidos pelas indústrias, entretanto, não significa necessariamente uma elevação equivalente nas bombas dos postos. Os valores pagos pelos consumidores também dependem de tributos, distribuição, margens comerciais e condições de mercado.

Celulose na contramão – Enquanto os biocombustíveis registraram valorização, a indústria de celulose, papel e produtos derivados apresentou recuo de 1,41% em setembro, depois de já ter registrado queda de 0,43% em agosto.
O resultado contrasta com o comportamento geral dos preços industriais e ganha relevância para Mato Grosso do Sul, que concentra grandes unidades produtoras de celulose e novos investimentos ligados à expansão do setor.
Apesar da retração mensal, os preços da atividade ainda acumulam alta de 0,79% em 2026. Na comparação com setembro do ano passado, a variação é positiva em 1,40%.
A diferença entre os indicadores mostra que a queda observada em setembro não elimina a valorização acumulada em períodos mais longos.
Para as indústrias instaladas em Mato Grosso do Sul, o comportamento dos preços internacionais da celulose é um dos fatores relevantes para o faturamento e as exportações. A intensidade desse efeito, porém, depende das condições comerciais de cada fabricante e não pode ser determinada apenas pelo indicador nacional.
O levantamento do IBGE não apresenta resultados específicos para Mato Grosso do Sul. Portanto, ainda não é possível afirmar que as usinas de etanol e as fábricas de celulose do Estado tenham registrado as mesmas variações observadas no país.
A diferença entre os dois setores indica, contudo, que a evolução dos preços industriais não ocorre de maneira uniforme, mesmo entre atividades que ocupam posições importantes na economia estadual.
Fonte: Campo Grande News
