Mato Grosso do Sul registra queda de 24,1% nas importações de fertilizantes
Mato Grosso do Sul registrou queda de 24,1% no volume de fertilizantes importados, segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). A redução ocorre durante a implantação da safra de soja 2026/2027 e acende um alerta sobre o abastecimento e os custos dos insumos agrícolas, fatores que influenciam diretamente a rentabilidade dos produtores.
O recuo estadual foi mais acentuado que a média brasileira. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 7,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Apesar da queda nas compras, o desembolso chegou a US$ 8,8 bilhões, alta de 8%. Segundo Linneu Borges Filho, analista de Economia da Aprosoja/MS, a combinação entre menor volume importado e maior gasto sinaliza uma pressão que pode elevar os custos de produção e reduzir as margens dos agricultores.
A dependência brasileira do mercado externo amplia a preocupação, especialmente diante das tensões geopolíticas e dos impactos sobre as rotas comerciais. A continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia e o novo conflito no Oriente Médio afetam o cenário internacional de fertilizantes, deixando os produtores expostos a oscilações na oferta, restrições comerciais e aumento dos custos de transporte.
Entre os nutrientes, o nitrogênio apresentou a maior queda nas importações brasileiras, com recuo de 17,2% no acumulado analisado. Já no mercado de potássio, Rússia e Canadá concentraram cerca de 82% das importações brasileiras em 2025. Diante desse cenário, a Aprosoja/MS destaca a diversificação de fornecedores como alternativa para reduzir a dependência externa, embora a ampliação das compras também dependa de preços, disponibilidade de produtos e custos logísticos.
Com o plantio da safra 2026/2027 em andamento, a redução das importações destinadas a Mato Grosso do Sul reforça a necessidade de monitoramento do mercado de fertilizantes. Embora a queda nos volumes não signifique, necessariamente, falta de produto ou aumento imediato dos preços no Estado, a combinação de menor oferta importada, maior desembolso nacional e instabilidade internacional mantém os custos dos insumos entre as principais preocupações dos produtores rurais.
Redação com informações Aprosoja
