Chuvas favorecem início da safra, mas déficit de armazenagem preocupa produtores de MS
As chuvas registradas nas últimas semanas começam a favorecer o avanço da safra 2026/27 em Mato Grosso do Sul, criando melhores condições de umidade para o início do plantio da soja. Ao mesmo tempo, as precipitações podem dificultar a colheita de culturas que ainda permanecem no campo, exigindo dos produtores atenção às condições do solo e às janelas de trabalho para a entrada de máquinas. O cenário climático ocorre em um momento de preparação para uma nova temporada de produção de grãos no Estado.
Além das condições climáticas, outro desafio acompanha o início da nova safra: a capacidade de armazenagem. Mato Grosso do Sul dispõe atualmente de estrutura para armazenar 17,19 milhões de toneladas de soja e milho, equivalente a apenas 58,8% da capacidade considerada necessária. A demanda estimada chega a 29,22 milhões de toneladas, resultando em um déficit de aproximadamente 12 milhões de toneladas.
O problema está espalhado pelo território estadual. Segundo dados do painel de armazenagem da Aprosoja, atualizado nesta segunda-feira (28) com informações da Conab e levantamentos de campo, 71 dos 78 municípios produtores analisados apresentam déficit. Na safra 2025/2026, a produção de soja e milho é estimada em 27,9 milhões de toneladas, enquanto a capacidade instalada está distribuída em 799 complexos armazenadores localizados em 65 municípios. Ponta Porã e Maracaju, importantes polos produtores, somam juntos um déficit de aproximadamente 2,43 milhões de toneladas.
A estrutura existente também apresenta forte dependência do transporte rodoviário. Cerca de 41% da capacidade de armazenagem está em unidades localizadas a até 30 quilômetros da BR-163, percentual que chega a 88,6% quando consideradas todas as rodovias federais. A ligação com ferrovias e hidrovias ainda é menor: apenas 7,9% da capacidade está próxima da Malha Norte, que possui circulação regular, enquanto 3,9% está próxima dos corredores hidroviários analisados.
Com o avanço do plantio da safra 2026/27, a combinação entre clima, produção crescente e limitação de espaço para armazenagem mantém o setor em alerta. O levantamento mostra que o déficit não é recente: em 2023, ano de maior produção da série analisada, a necessidade de armazenagem chegou a 35,07 milhões de toneladas, enquanto a diferença entre a capacidade disponível e a necessidade alcançou 21,53 milhões de toneladas. Para os produtores, ampliar a estrutura de armazenagem e melhorar a logística será importante para acompanhar o crescimento da produção estadual nos próximos ciclos.
REdação com informações da Aprosoja
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