Enfermeiros da Santa Casa procuram a polícia após terem que assumir serviço extra

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O Siems (Sindicato de Enfermeiros de Mato Grosso do Sul) oficializou, nesta quarta-feira (16), uma denúncia quanto à sobrecarga enfrentada pelos profissionais de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande. Formalizado por Lázaro Santana, presidente da entidade, o registro visa preservar os direitos dos associados perante a realização de função além das atribuições determinadas.

Conforme o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, o laboratório terceirizado responsável pela coleta de sangue teve o serviço descontinuado no dia 26 de agosto, devido aos atrasos nos pagamentos por parte da Santa Casa. Como consequência, a tarefa teria sido atribuída aos profissionais de enfermagem que, segundo o documento, “já sofrem um déficit superior a 300 profissionais”.

Tal atribuição, além da sobrecarga aos colaboradores, também estaria colocando em risco pacientes. “[…] Os enfermeiros, ao realizarem as coletas, podem ficar ausentes de seus postos de trabalho habituais, gerando desassistência e potenciais intercorrências.

“O acúmulo das atividades junto às atribuições assistenciais que já desempenhavam, somado à atual crise do hospital, gera um clima caótico no ambiente, com sobrecarga de trabalho, possibilidade de acidentes de trabalho e até mesmo agravos à saúde dos profissionais — tudo isso se reflete no atendimento aos pacientes”, ressalta Lázaro.

Outro ponto abordado pelo presidente do Siems no boletim de ocorrência é o ofício publicado pela Santa Casa de Campo Grande no dia 8 de setembro.

Com validade de 180 dias e prorrogável por igual período, o documento suspende a contratação de novos profissionais de enfermagem e a realização de horas extras. Assim, o quadro de déficit profissional diante do número de pacientes também se agrava.

Conforme o sindicato, a situação já havia sido formalizada na Santa Casa antes do registro da ocorrência. Na segunda-feira (14), o sindicato protocolou ofício de “Notificação de Preservação de Direitos e Comunicação de Risco Assistencial decorrente de alteração no processo de trabalho e insuficiente quadro de pessoal”. Além disso, o Siems solicitou à Santa Casa a apresentação, em até 48 horas, de um plano de ação para solucionar a situação relatada.

Jornal Midiamax acionou a instituição a fim de abrir espaço para posicionamento. Confira na íntegra:

A Santa Casa de Campo Grande informa que, diante da possibilidade de encerramento do contrato de prestação de serviços laboratoriais e visando assegurar a continuidade da assistência aos pacientes internados, por deliberação da diretoria corporativa da instituição, foi implantado um plano de contingência, definido após avaliação técnica da Diretoria Técnica, Gerência de Enfermagem, Qualidade, SESMT, Departamento Pessoal e Recursos Humanos.

Como medida temporária durante o período de transição do serviço, as atividades de coleta de exames laboratoriais foram reorganizadas, com participação de profissionais das Unidades de Terapia Intensiva Adulto e Pediátrica, Enfermarias e apoio de profissionais com restrição, após avaliação do Sesmt, para atividades assistenciais, exclusivamente para coleta e transporte de materiais biológicos.

Os profissionais contratados foram integrados à instituição em 15 de setembro de 2026, com início das atividades em 16 de setembro de 2026, restabelecendo o fluxo assistencial planejado para o serviço.

A instituição ressalta que todas as medidas adotadas foram conduzidas com respaldo técnico e administrativo, em conformidade com as competências profissionais da equipe de enfermagem e com os fluxos internos estabelecidos pela Diretoria Técnica, Gerência de Enfermagem e setor da Qualidade.

*Matéria editada às 15h45, para adição de nota da Santa Casa de Campo Grande.

Madu Livramento

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