Brasil e Bolívia firmam parceria para ampliar combate a incêndios no Pantanal e Chaco boliviano

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Articulação binacional inédita entre Brasil e Bolívia prevê ações voltadas à prevenção de incêndios florestais no Pantanal sul-mato-grossense e no Chaco boliviano. A reunião para definir os detalhes da atuação conjunta entre os dois países foi realizada na manhã desta segunda-feira (14), na sede do IHP (Instituto Homem Pantaneiro), em Corumbá (MS)

O encontro reuniu representantes do IHP, do Prevfogo/Ibama, da Armada Boliviana, da Defesa Civil boliviana e da Sub-governação da Província de Germán Busch (municípios de Puerto Suárez, Puerto Quijarro e Carmen Rivero Tórrez), órgão vinculado ao Departamento de Santa Cruz.

Durante a reunião, foram definidos os detalhes logísticos de uma expedição de reconhecimento que percorrerá o território boliviano até a região da Baía Gaíva, além da Serra do Amolar. Pelo lado brasileiro, o acesso ao local é feito exclusivamente por embarcação, pelo Rio Paraguai, a partir de Corumbá. Já pelo território boliviano, existe uma estrada de acesso que precisa passar por manutenção.

A articulação ganhou força após uma atuação conjunta entre a Armada Boliviana, o IHP, o Prevfogo/Ibama e o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul. Na sequência, a Sub-governação da Província de Germán Busch também passou a integrar as ações, com o objetivo de ampliar a cooperação e coordenar as atividades entre os dois países.

Conforme detalha o subgovernador da Província Germán Busch, Luis Delgadillo, a necessidade de avançar com ações de prevenção de incêndios florestais fez com que as tratativas ganhassem força. “Isso envolve também uma articulação entre Departamentos. Em épocas anteriores, não tínhamos essa articulação direta, mas hoje isso está mudado, as normativas das autoridades estão caminhando para um trabalho coordenado conjuntamente. Precisamos compartilhar informações, compartilhar tarefas e avançar para conseguirmos realizar trabalhos conjuntos em maior escala.”
Grupo debateu estratégias para ampliar o acesso às áreas remotas na fronteira. (Foto: Divulgação, IHP)

Estrutura boliviana será integrada à atuação

Na Bolívia, o 5º Distrito Naval “Santa Cruz” da Armada Boliviana, que fica em Puerto Quijarro, abriga também o Centro Nacional de Formação para Especialistas em Eventos Adversos, que tem formado brigadistas militares e civis para todo o território boliviano. Por conta da importância dessas unidades para prevenção e combate a incêndios florestais, o tema de atuação transfronteiriça ganhou ainda mais peso na região.

Conforme destaca o comandante do 5º Distrito Naval da Armada Boliviana em Santa Cruz, Capitão de Navio Cadmiel Mouzon Terán, as autoridades estão empenhadas em abrir caminhos e manter acesso às vias para permitir que locais remotos possam ser alcançados, com intuito de garantir atendimentos tanto às áreas verdes quanto à população de ambos os países

Brigadistas do Ibama terão apoio para chegar à fronteira

Em paralelo, o Ministério da Defesa da Bolívia, por meio do VIDECI (Viceministério de Defesa Civil), formalizou apoio a outra frente da cooperação, relacionada ao ingresso e deslocamento de brigadistas do Ibama entre a localidade de El Carmen e a fronteira com o Brasil, na região da Serra do Amolar, entre os dias 13 e 15 de setembro.

Para viabilizar a operação, a Bolívia designou o Tenente-Coronel Alexis Paredes Ferrufino, responsável departamental do VIDECI na Chiquitania, como ponto focal para articular as ações com o Prevfogo/Ibama, o 5º Distrito Naval da Armada Boliviana e as demais instituições envolvidas.

Ação busca reduzir tempo de resposta a incêndios

Para o presidente do IHP, Ângelo Rabelo, a parceria é um passo inédito de cooperação entre instituições brasileiras e bolivianas que atuam na região transfronteiriça. “Essa mobilização fortalece uma ação coordenada internacional para proteger um patrimônio natural da humanidade como o Pantanal, além da floresta chiquitana. A colaboração da Armada Boliviana é fundamental para dar segurança e viabilizar o acesso das equipes durante toda a operação.”

Já o chefe da unidade técnica para Mato Grosso do Sul do Prevfogo/Ibama, Márcio Yule, acrescenta que a ação é de extrema importância para diminuir o tempo de resposta em caso de incêndios florestais. “O deslocamento por embarcação, levando equipamentos e pessoal, demora muito mais do que se conseguirmos o acesso por terra. E o governo boliviano sinalizou o interesse em melhorar a estrutura e o acesso nessa região.”

(Foto: Divulgação, IHP)

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