Presidente e diretor da Santa Casa vão para Presídio Militar de Campo Grande

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A presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, Alir Terra Lima, vai cumprir prisão preventiva no Presídio Militar da Capital. Por conta da prerrogativa de advogados, ela e o diretor adjunto de finanças, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, vão ficar na unidade, que tem cela especial.

Também foram presos nesta sexta-feira (11), em operação contra a corrupção, o ex-diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano; o ex-diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira; a coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística, Monique Gregório de Oliveira; e o empresário Maurício Aparecido Benites.

Os seis ainda devem passar por audiência de custódia nas próximas horas. Eles são suspeitos de integrar um suposto esquema de fraude que causou prejuízo de R$ 3,5 milhões.

Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — através do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os alvos foram:

  • Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor adjunto de finanças do hospital;
  • Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro do hospital;
  • Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo do hospital;
  • Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
  • Maurício Aparecido Benites, empresário.

As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.

O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.

Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.

Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral de MS).

 

O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.

A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de MS).

“Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.

 (Foto: Divulgação, ABCG)

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