Biodiesel ganha espaço em MS
Mato Grosso do Sul produziu 31,159 milhões de litros de biodiesel no primeiro semestre de 2026, contra 23,536 milhões de litros no mesmo período de 2025, alta de 32,4% que colocou o Estado na 7ª posição entre os produtores nacionais. Como 77,38% das matérias-primas utilizadas pelas usinas estaduais vêm do óleo de soja, a expansão do setor reforça a conexão entre a produção agrícola e a cadeia de biocombustíveis, ampliando a demanda pelo grão e criando oportunidades para novos modelos de fornecimento e contratos com as indústrias.
Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com três usinas de biodiesel em operação: Cargill, em Três Lagoas; Delta Biocombustíveis, em Rio Brilhante; e Lar Cooperativa Agroindustrial, em Caarapó. A expansão industrial acompanha o crescimento da soja no Estado: a área plantada passou de 4,52 milhões para 4,62 milhões de hectares entre as safras 2024/2025 e 2025/2026, enquanto a produção avançou de 14,06 milhões para 16,74 milhões de toneladas, alta de 19,1%. Com mais soja e maior capacidade industrial, o óleo extraído do grão ganha importância e pode ampliar os destinos econômicos da produção.
O cenário também é favorecido pelo aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel comercial. A Lei do Combustível do Futuro estabeleceu uma trajetória de crescimento até o B20 em 2030; atualmente, o mercado opera com B15, enquanto o avanço para B16, previsto inicialmente para 2026, foi adiado para 2027 para a realização de testes técnicos adicionais. Nesse contexto, o B100, biodiesel puro, surge como alternativa para máquinas agrícolas, veículos e equipamentos. A legislação simplificou o procedimento para determinados usos voluntários, mas a adoção exige verificar a compatibilidade dos motores, além de cuidados maiores com armazenamento, umidade e filtros.
A Aprosoja/MS ressalta, porém, que substituir o B15 pelo B100 comprado no mercado não representa economia imediata. Na última semana de abril de 2026, o biodiesel negociado entre usinas e distribuidoras custava, em média, R$ 5,12 por litro, e o combustível possui poder calorífico cerca de 10% inferior ao diesel mineral. Com a combinação de preço e consumo, o estudo estima que o custo por quilômetro rodado com B100 adquirido de terceiros possa ficar entre 20% e 30% acima do B15. A vantagem econômica pode estar, portanto, na verticalização da produção, na valorização do óleo de soja, na redução da exposição ao petróleo e ao câmbio e em oportunidades ligadas à economia de baixo carbono.
Outra possibilidade é a participação do produtor na receita de CBios, créditos de descarbonização do RenovaBio. A Lei nº 15.082/2024 permite que produtores rurais negociem participação na receita gerada pela usina que compra sua matéria-prima, mas, no caso da soja, não há percentual mínimo obrigatório: o repasse precisa ser previsto em contrato. Assim, o avanço do biodiesel abre duas frentes principais para o produtor sul-mato-grossense: o crescimento da demanda por óleo de soja e a possibilidade de utilizar o B100 nas próprias operações. A decisão, entretanto, deve considerar escala, logística, custos e compatibilidade dos equipamentos, além das oportunidades de negociação com usinas e agroindústrias.
(Foto: Coamo/Divulgação)
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