PF aponta Lulinha como beneficiário indireto de negociações de lobista com empresários
Não há, no entanto, referência a negócios que o Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado com o governo federal. A defesa de Lulinha sustenta que ele tem sido investigado há anos e nunca foi encontrado nada que o desabonasse. O advogado Marco Aurélio de Carvalho tem reiterado reclamações sobre vazamento das investigações.
Um deles envolve a tentativa de convencer o Ministério da Saúde a adquirir produto a base de canabidiol, um dos empresários beneficiados seria o Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Como revelou o Estadão/Broadcast, Roberta aparece em conversas dizendo que ela e Fábio eram uma coisa só. “Eu sou o Fábio”, escreveu a lobista.
Nas mensagens de celular, Roberta ainda conta como atuava junto ao governo federal. Roberta explica o caminho que ela trilhava para driblar os problemas: “Eu trabalho a política via Palácio. Eu sou boa de costura política”.
No caso do canabidiol, havia necessidade de convencer o Ministério da Saúde a adquirir o produto. Entrou então na articulação o então chefe de gabinete de Lula, conhecido como Marcola. Ele teria atuado para marcar reunião de Roberta com o então secretário-executivo da Saúde Swedenberger Barbosa, o Berge.
Segundo a revista, a reunião na Saúde só ocorreu por interferência direta de Lulinha. “Pousei. Vou lá no Berge”, escreveu Roberta em mensagem direcionada a Lulinha em março de 2024. “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo (beijo) pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”, brincou o filho do presidente Lula. “Precisamos 100% do Berge”, respondeu Roberta.
A investigação da PF faz parte dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta, apesar do conteúdo do relatório policial, o Ministério Público enviou um parecer ao ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos que envolvem Lulinha, solicitando que o caso seja remetido a outra instância judicial. O MPF sustenta que não há autoridade sob investigação para manter o inquérito no Supremo.
A revista revela ainda conversas entre Roberta e Lulinha indicando que a lobista era responsável por pagar despesas do filho do presidente da República. Há menção a uma viagem para a África, organizada por Roberta, e que custaria US$ 20 mil por pessoa. “A gente tem grana pra bancar essas coisas? Vc que cuida das minhas finanças”, escreveu Lulinha. Em outra conversa, o filho do presidente fala sobre a possibilidade de um novo negócio que ambos tratavam. A revista Veja não especifica que negócio seria esse. “Coisa boa paporra”, comenta Lulinha por mensagem.
Em outro trecho de conversa recuperada pela PF a lobista aparece gabando-se de que o presidente Lula teria lhe oferecido um cargo no governo. Segundo a Veja, Roberta rejeitou a oferta e explicou o motivo a um empresário com quem trocou mensagens pelo celular em 2024.
“Fui das poucas pessoas que o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer ficar. (…) Eu disse: aonde eu tô. Na minha sociedade com Fábio e Fernando.” “Tô em cargo nenhum e ando onde quero”.
Ela ainda resume como é sua relação com Lulinha e o sócio dele Fernando Bittar: “Fefe (Bittar), Fábio e eu somos uma coisa só. Se um fala vai, todos vão. A gente é mesmo irmão”.
(Foto: Reprodução, Redes Sociais)
