Retotalização tira mandato de Neno Razuk e coloca João César Mattogrosso na Alems
A retotalização dos votos das eleições de 2022 em Mato Grosso do Sul confirmou nesta quinta-feira (21) a saída do deputado estadual Neno Razuk (PL) da Assembleia Legislativa. Com a nova contagem realizada pelo TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), a cadeira passa a ser ocupada por João César Mattogrosso (PSDB).
A recontagem aconteceu na sede do tribunal, em Campo Grande, após decisão judicial que anulou os votos recebidos pelo ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, conhecido como Tio Trutis, e por sua ex-esposa, Raquelle Lisboa Alves Souza.
O procedimento começou com atraso devido a problemas técnicos no acesso ao sistema eleitoral. Segundo informações do TRE-MS, foi necessário acionar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para restabelecer o funcionamento da plataforma utilizada na retotalização.
A principal alteração atingiu diretamente a composição da Alems. Com a anulação dos 10.782 votos atribuídos a Raquelle Souza, o PL perdeu uma das vagas obtidas pelo coeficiente eleitoral nas eleições de 2022.
Com isso, João César Mattogrosso, atual diretor-adjunto do Detran-MS, passa a assumir a vaga no Legislativo estadual. Ele já havia exercido mandato temporário anteriormente durante licença do deputado Pedro Caravina.
Na Câmara dos Deputados, a mudança afetou apenas a ordem de suplência do PL. Antes da decisão, Tio Trutis figurava como segundo suplente da legenda. Após a nova contagem, a posição passa a ser ocupada por Bethania Kelly Rodrigues da Silva.
Segundo o TRE-MS, o presidente da Corte, Carlos Eduardo Contar, já assinou a ata da retotalização. O tribunal agora prepara a comunicação oficial à Assembleia Legislativa para efetivar a troca de parlamentares.
A expectativa é que João César Mattogrosso seja convocado nos próximos dias para assinatura da diplomação e posse no cargo, sem necessidade de cerimônia formal.
Além de perder o mandato, Neno Razuk também deixa de ter foro e imunidade parlamentar. No fim do ano passado, ele foi condenado em primeira instância a 15 anos e sete meses de prisão por envolvimento com organização criminosa e exploração de jogo do bicho. Apesar da condenação, o deputado ainda pode recorrer da decisão.
A anulação dos votos de Tio Trutis e Raquelle Souza ocorreu após condenação relacionada ao uso irregular de recursos do fundo eleitoral. Conforme o processo, o ex-casal teria utilizado empresas para ocultar movimentações financeiras consideradas ilícitas, em um esquema investigado por lavagem de dinheiro envolvendo cerca de R$ 776 mil.
A defesa de Neno Razuk foi procurada, mas ainda não havia se manifestado até a última atualização da reportagem.
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