PF pede denúncia de sete desembargadores do TJMS por suspeita de venda de sentenças
Os magistrados citados são: Sideni Soncini Pimentel, Vladimir Abreu da Silva, Julio Roberto Siqueira Cardoso, Alexandre Aguiar Bastos, Sergio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues. A PF sugere que eles sejam denunciados por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A reportagem tentou contato com as defesas dos investigados, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para manifestações. A assessoria do TJMS também foi procurada, porém não respondeu.
Inquérito detalha esquema milionário
O pedido de denúncia é baseado em um relatório com mais de 700 páginas, concluído no fim de março e assinado pelo delegado Marcos André Araújo Damato. No documento, a PF aponta a existência de um esquema estruturado de comercialização de decisões judiciais, especialmente em processos envolvendo disputas de terras e execuções financeiras de alto valor.
Segundo a investigação, filhos de magistrados atuariam como intermediários nas negociações, enquanto grandes quantias em dinheiro em espécie eram utilizadas para dificultar o rastreamento das propinas. Conversas por aplicativos, documentos e registros bancários foram utilizados como base das apurações.
Entre os casos analisados estão processos ligados a propriedades rurais em Mato Grosso do Sul, como as fazendas Santo Antônio e Vai Quem Quer, em Corumbá, além da Fazenda Paulicéia, em Maracaju, e áreas identificadas como Montanha e San Diego.
A Polícia Federal descreve que decisões judiciais eram tratadas como mercadoria, com suposta negociação de votos em ações milionárias. O relatório também aponta que, em alguns casos, prazos processuais e provas técnicas teriam sido ignorados para favorecer interessados.
Além da suspeita de corrupção, a investigação identificou indícios de lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis na Bahia, além de possíveis crimes como extorsão, falsificação de escrituras públicas e atuação de organização criminosa.
O MPF também foi questionado sobre o pedido de denúncia, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
(Foto: Reprodução)
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