Chefão do PCC que ‘escapou pela porta da frente’ e traficante estão entre alvos da PF
O narcotraficante Gerson Palermo, apontado como chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital), é um dos alvos da Operação Capolinea, deflagrada pela Ficco/MS (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul) nesta quinta-feira (15) em MS, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.
A operação mira um grupo criminoso que transportava drogas em caminhões de minérios e teria movimentado mais de R$ 24 milhões. Um vigilante da PF em Corumbá, a 444 quilômetros de Campo Grande, foi preso após informar ao grupo sobre a rotina interna da unidade, presença de equipes policiais e a situação dos presos.
O vigilante é enteado de um dos líderes da organização criminosa e enviava fotos de apreensões e documentos feitos dentro da delegacia da PF. Ele também guardava drogas em casa e fazia o transporte entre a Bolívia e o Brasil, inclusive da carga apreendida em Três Lagoas.
Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, Gerson Palermo e Aguinaldo Chaleira estão entre os alvos da operação desta quinta-feira (15), além do vigilante. Palermo foi preso em maio, na Bolívia, após ficar seis anos foragido.
Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Corumbá e a Justiça também autorizou a inclusão de três investigados que vivem no exterior na Difusão Vermelha da Interpol.
A reportagem apurou também que um investigado foi preso em flagrante com um revólver de calibre .32 em Campo Grande. Os policiais cumpriram dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e quatro de busca e apreensão na Vila Jacy e bairro Vida Nova. Na zona rural de Jaraguari, um foi preso preventivamente e um mandado de busca e apreensão foi cumprido.
Em Corumbá, onde está situado o comando desse grupo criminoso, quatro investigados foram presos preventivamente, quatro presos temporariamente e nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Ladário também foi alvo, com dois mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária.
Ainda em Mato Grosso do Sul, a equipe da Ficco/MS prendeu um investigado preventivamente e cumpriu um mandado de busca e apreensão. Em Jataí (GO), um mandado de busca e apreensão foi cumprido, assim como em Lagoa da Prata (MG), Piumhi (MG) e São Paulo.
Diante do mandado contra Gerson Palermo, o Jornal Midiamax acionou a defesa dele e aguarda um retorno. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
O grupo trazia a droga da Bolívia pela fronteira de Corumbá com Puerto Quijarro e a distribuía para Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás e Minas Gerais. A droga era transportada em caminhões que levavam cargas de minério de ferro, aproveitando o grande movimento desse tipo de frete na região.
Para o transporte, o grupo aliciava funcionários de mineradoras, como supervisores e operadores de balança, e os pagava via Pix, para que os caminhões fossem carregados sem fiscalização.

Também foram identificados esconderijos em pneus e tanques de combustível de caminhões e em cargas de grãos.
As investigações começaram após a análise de um celular apreendido com um integrante do grupo, que levou à identificação do líder da organização criminosa, escondido na Bolívia há cerca de seis anos.
As investigações identificaram que o grupo transportava drogas em caminhões de minério de ferro e utilizava diferentes métodos para ocultar os entorpecentes, além de aliciar funcionários de mineradoras para facilitar o transporte.
Uma dessas remessas foi apreendida em Três Lagoas em agosto de 2025: eram 35 kg de cocaína e 12,5 kg de maconha escondidos dentro de um pneu. Segundo a investigação, o grupo negociou cerca de 24 toneladas de drogas no período analisado.
Bastante conhecido, Palermo é apontado como integrante do PCC, ligado ao narcotráfico internacional, com atuação no tráfico transnacional de cocaína, lavagem de dinheiro e articulação logística entre Brasil e Bolívia.
Palermo é apontado como um dos chefões do PCC e tem registros policiais desde o início dos anos 90. A maior pena do traficante é por um caso histórico: o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, em 2000. Na ocasião, Palermo liderou uma quadrilha que tomou o controle do avião após a decolagem em Foz do Iguaçu, fronteira com o Paraguai.
Então, Palermo, que também é piloto de avião, deu as coordenadas e obrigou o piloto a pousar na cidade de Porecatu, interior do Paraná, onde o grupo roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões.
Palermo, que já havia sido preso em 1991 por tráfico de drogas, foi preso novamente em 29 de agosto de 2000 pelo sequestro do avião. Por este crime, ele foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão. Nessa época, ele já era considerado pela PF como um dos maiores traficantes do país.
Fonte: Midiamax | Jornal de Campo Grande e Mato Grosso do Sul
