Sensei Roger Ziemann deixa legado de mais de três décadas dedicadas ao judô e à transformação de vidas

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Apaixonado pelo judô há mais de 35 anos, Roger fez do tatame um instrumento de inclusão e oportunidade; ao lado do irmão Robert, ajudou a construir um projeto social Judô Para Todos que há 27 anos acolhe crianças e forma cidadãos

O judô de Maracaju vive um dia de profunda tristeza. Nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, familiares, amigos, alunos e toda uma geração formada dentro e fora dos tatames se despedem do Sensei Roger Ziemann, cuja história se confunde com o desenvolvimento do judô social no município e do estado de Mato Grosso do Sul.

Roger iniciou sua caminhada no esporte há mais de 35 anos. Ainda jovem, encontrou no judô muito mais do que uma modalidade esportiva. Encontrou valores que levaria consigo por toda a vida: disciplina, respeito, perseverança, responsabilidade e, acima de tudo, a possibilidade de transformar pessoas.

Sua própria trajetória fez nascer um sonho. Roger sabia o quanto era difícil para muitas famílias proporcionar oportunidades aos filhos e conhecia de perto as limitações enfrentadas por quem desejava praticar um esporte, mas não tinha condições. Por isso, passou a carregar consigo um propósito muito claro: dar às crianças as oportunidades que ele próprio não teve.

Foi assim que nasceu seu amor por ensinar.

Para Roger, colocar um quimono em uma criança nunca significou apenas formar um atleta. Significava abrir uma porta. Cada aula era uma oportunidade de ensinar respeito, fortalecer a autoestima, estabelecer limites, criar sonhos e mostrar que aquela criança poderia construir um futuro diferente.

Essa missão ganhou ainda mais força quando seu irmão, Robert Ziemann, também começou a praticar judô. Unidos pelo esporte e pelo mesmo desejo de servir, os irmãos passaram a trilhar juntos uma história que ultrapassaria as paredes do dojô.

27 anos, esse propósito ganhou forma por meio de um projeto social criado justamente para atender quem mais precisava. Nascia uma iniciativa fundamentada em uma ideia simples, mas capaz de atravessar gerações: usar o judô como ferramenta de transformação social.

O que começou com o desejo de oferecer oportunidades cresceu. Crianças chegaram pequenas, aprenderam seus primeiros movimentos, receberam suas primeiras faixas e cresceram carregando ensinamentos que não ficaram restritos ao tatame. Algumas tornaram-se atletas; outras seguiram diferentes caminhos profissionais e familiares. Todas, porém, levaram consigo um pouco daquilo que Roger ensinava.

Ao longo dessas quase três décadas de trabalho social, o Judô Para Todos tornou-se parte dessa história. Mais tarde, essa missão de cuidar e proporcionar oportunidades às crianças também encontraria continuidade no Instituto Pequeno Cidadão, ampliando uma caminhada construída sobre educação, esporte, inclusão e cidadania.

Foram milhares de encontros, treinos, conselhos, correções e ensinamentos. Para quem passou por suas aulas, Roger não foi apenas o professor que ensinava uma queda ou uma técnica. Era o sensei que cobrava postura, respeito e disciplina, mas que também acreditava no potencial de cada criança.

E talvez seja justamente aí que esteja a dimensão de seu maior legado.

Roger não colecionou apenas medalhas. Ajudou a construir histórias. Não formou somente judocas. Participou da formação de cidadãos.

Nesta segunda-feira, a família Ziemann se despede de um irmão, esposo, pai, familiar e amigo. O judô se despede de um sensei. Seus alunos se despedem de um professor. E Maracaju se despede de alguém que dedicou uma parte significativa de sua vida a oferecer oportunidades às novas gerações.

A tristeza da despedida é imensa. Mas, junto dela, permanece a gratidão.

Gratidão por saber que Roger realizou aquilo que escolheu como missão: fez diferença na vida das pessoas.

Cada criança que entrou no tatame sem perspectivas e encontrou acolhimento; cada jovem que aprendeu a respeitar o próximo; cada aluno que descobriu que poderia ir além; cada família alcançada pelo projeto representa uma parte de sua história.

Agora, caberá às próximas gerações manter vivo aquilo que ele ajudou a construir.

O Judô Para Todos continuará. O Instituto Pequeno Cidadão continuará. E, enquanto houver uma criança vestindo seu primeiro quimono, aprendendo a cumprimentar antes de lutar e descobrindo que respeito e caráter valem mais do que qualquer medalha, uma parte do Sensei Roger continuará presente sobre o tatame.

Porque existem pessoas cuja passagem pela vida não termina na despedida.

Elas permanecem nas vidas que transformaram.

“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”
2 Timóteo 4:7

Sensei Roger Ziemann — uma vida dedicada ao judô, às crianças e à construção de um futuro melhor. Seu legado permanecerá vivo para sempre.