Operação Agro Fantasma indicia ex-deputado de MS e filho por golpe de R$ 58 milhões a produtores
Segundo o relatório da Polícia Civil, câmeras de segurança registraram a dupla retirando caixas de documentos da empresa na madrugada anterior à operação. Depoimentos indicam que os papéis foram queimados, e o sistema de monitoramento interno chegou a ser formatado remotamente enquanto um perito colhia as imagens no local. A defesa do ex-deputado nega qualquer envolvimento com o esquema fraudulento.
O delegado Ricardo Sarto, responsável pelo caso, afirmou ao Jornal Midiamax que Assis usava da figura política e do poder econômico como meio de garantia em negociações das empresas investigadas.
Vazamento
A investigação aponta que Sérgio Assis e os demais envolvidos souberam da operação de forma antecipada devido a um alerta financeiro. Em 3 de março, às 12h22 — um dia antes da deflagração oficial das buscas —, o sistema bancário executou uma ordem judicial de bloqueio de R$ 70 milhões das contas do grupo.
Ao visualizarem o extrato com o bloqueio milionário, os investigados acionaram advogados no Judiciário e conseguiram revogar ordens de prisão preventiva antes de serem detidos.
Enquanto o ex-deputado estadual de MS Sérgio Assis agora responde também pelo crime de fraude processual devido ao plano de ocultação e destruição de documentos, seu associado, Pedro Henrique Cardoso, apontado como comandante da estrutura, evadiu-se do local e segue sem ter o paradeiro localizado pela polícia.
Golpe milionário em produtores
As investigações apontaram que a empresa, que se apresentava com roupagem de solidez, atuava em fraudes estruturadas na compra de grãos, causando relevantes prejuízos financeiros às vítimas.
Para aplicar os golpes, os donos da empresa convenciam as vítimas a utilizar o nome de suas propriedades para fazer compras a prazo de grãos, que eram revendidos à vista pela empresa para indústrias.
Os valores das compras a prazo seriam quitados pelo grupo. Porém, somente nos primeiros meses os débitos foram pagos corretamente. Após certo tempo, os investigados deixavam de quitar as dívidas contraídas, causando prejuízo ao produtor rural.
Após adquirir a confiança de uma das vítimas, o grupo realizou diversas compras de grãos, causando uma inadimplência superior a R$ 58 milhões a ela.
(Foto: Reprodução, Redes Sociais)
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