Tarifaço de 12,5% inclui tilápia de MS e põe em risco R$ 73 milhões em exportações aos EUA

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Outros produtos, como o sebo bovino, acumulam os dois tarifaços desta semana, com taxação de 37,5%

Os Estados Unidos impuseram mais um tarifaço às exportações brasileiras, dessa vez de 12,5%, sob justificativa de que o país falha no combate ao trabalho forçado. A maioria dos produtos de Mato Grosso do Sul está isenta, mas a tilápia foi incluída na nova taxa. A medida põe em risco itens que renderam ao Estado US$ 14.376.210 — equivalente a R$ 73.245.352,33 — apenas no primeiro semestre de 2026.

Esta nova taxa entrou em vigor nesta sexta-feira (24) e se soma à tarifa de 25%, que começou a valer na quarta (22). Carne bovina, celulose e ferro-gusa, que correspondem a 93% da pauta de exportações de MS aos EUA, seguem isentos. As únicas novidades da nova taxação são a tilápia e o rabo bovino, que antes estavam livres de sobretaxa.

A venda de filés de tilápia frescos, refrigerados ou congelados rendeu o equivalente a R$ 20.779.998 em exportações de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, o que representa 1,1% do total, com 546 toneladas. Já o rabo de bovino congelado corresponde a 0,02% das vendas, com movimentação de R$ 333.766,90 relacionada ao envio de 25 toneladas nos últimos seis meses.

O sebo bovino fundido, utilizado para produção de sabão, acumulará os dois tarifaços (37,5%), o que dificulta ainda mais essa exportação, que rendeu R$ 49.947.019 ao Estado no primeiro semestre de 2026.

Para diminuir o baque à indústria dos derivados de carne bovina em MS, a expectativa é procurar novos mercados e ampliar o uso interno do sebo como matéria-prima na produção de biodiesel. O sebo representou 2,65% dos envios de MS aos EUA, de janeiro a junho. No entanto, o sentimento é de alívio para esse setor, já que seus principais itens de exportação foram poupados pelos Estados Unidos em ambos os tarifaços desta semana.

Dados do Observatório da Indústria mostram a participação dos itens nas exportações ao país, o valor movimentado e o volume vendido até junho de 2026. Confira a lista:

Tilápia e rabo bovino sofrem taxação de 12,5%. Já os outros itens da lista acumulam também a tarifa de 25%, totalizando 37,5% em impostos.

As taxas recaem sobre os norte-americanos que compram esses produtos. Aos setores impactados no Brasil, o temor é que eles deixem de importar do país para priorizar a produção interna ou outros mercados não tarifados.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) a decisão de taxar os produtos brasileiros em mais 12,5%. Ao todo, 60 países foram alvo dessa investigação, e a medida entrou em vigor a partir desta sexta-feira (24).

A decisão vem de investigações abertas em julho do ano passado pelo USTR (Escritório do Representante Especial de Comércio), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O argumento é de que o Brasil falha em combater práticas de trabalho forçado nos setores produtivos.

A apuração concluiu que esses países, incluindo o Brasil, adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

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Dos 60 países investigados, 54 são alvos da proposta de 12,5%. Os outros seis: Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão, tiveram propostas de 10%.

A decisão de impor o novo tarifaço de 25% é fruto da mesma investigação do USTR, que acusou o governo brasileiro de “práticas injustificáveis, desarrazoadas ou discriminatórias de governos estrangeiros que oneram ou restringem o comércio dos EUA”. O etanol, o Pix e o desmatamento ilegal são algumas das alegações que motivam a taxa.

Esse tarifaço foi anunciado no início de junho e entrou em vigor na quarta-feira (22). A maior parte dos produtos já estava isenta da cobrança quando a investigação da Seção 301 foi concluída, em junho, mas o governo norte-americano ampliou as exclusões.

As exceções às tarifas foram aplicadas a produtos considerados importantes para a indústria estadunidense, mas que têm pouca oferta no país. Assim, a taxa poderia causar impacto negativo à produção dos Estados Unidos.

Ainda conforme o Observatório da Indústria, painel publicado pela Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial estrangeiro do Estado.

A China é a principal parceira, responsável pela compra de 1,8 milhão de toneladas, o que representa US$ 1,3 bilhão apenas nos primeiros seis meses deste ano.

Neste período, as exportações totais do Estado acumulam movimentação de US$ 3,83 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano passado, o valor era de US$ 3,78 bilhões. Ou seja, as exportações do primeiro semestre de 2026 superam o registrado em 2025.

As exportações aos Estados Unidos também subiram neste período, apesar dos imbróglios na política internacional entre os dois países. Entre janeiro e junho de 2025, o comércio internacional com o país norte-americano movimentou US$ 3,2 milhões, ante US$ 3,7 milhões no mesmo período deste ano.

(Revisão: Dáfini Lisboa)

Fonte: Midiamax | Jornal de Campo Grande e Mato Grosso do Sul