Queda de avião em área rural de Campo Grande é a primeira registrada em 2026 em MS

A queda de um Cessna Piper Sêneca, esta quinta-feira (3) em Campo Grande, é a primeira registrada em 2026 em Mato Grosso do Sul. O acidente aéreo, ainda sem causa confirmada, matou o piloto, identificado como Henrique Martins, e uma passageira, que seria guia de turismo, que estavam a bordo da aeronave, que caiu em uma área rural da Capital.

Ao todo, neste ano de 2026, de acordo com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), Mato Grosso do Sul registrou 17 ocorrências envolvendo aeronaves de pequeno porte, entre falhas de motores, problemas durante a aterrissagem, entre outras ocorrências, mas nenhuma com vítimas.

Repercussão internacional

Em 23 de setembro de 2025, o arquiteto Kongjian Yu e os cineastas brasileiros Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Júnior estavam no Pantanal para gravar um documentário. Marcelo Pereira Barros, o piloto e dono do avião, havia sido contratado para levar o grupo aos lugares. No entanto, ao tentar pousar em uma fazenda, precisou arremeter.

Kongjian Yu era criador do conceito de ‘cidade-esponja’

O avião explodiu a cerca de 100 metros da cabeceira da pista, causando a morte dos quatro ocupantes. Segundo apurado, os corpos ficaram carbonizados e o exame de DNA foi realizado para identificar as vítimas oficialmente. As causas formais do acidente também serão apuradas pela Dracco e pelo Cenipa.

Repercussão nacional

Mato Grosso do Sul ganhou destaque por outros acidentes em anos anteriores, como a queda do avião dos apresentadores Luciano Huck e Angélica, em maio de 2015, na cidade de Rochedo, que ganhou os holofotes da mídia nacional na época.

Apesar de ser um acidente grave, todos os passageiros e o piloto foram socorridos sem grandes ferimentos. A aeronave não explodiu nem pegou fogo ao tocar o chão, segundo relatório do Cenipa. Se o contrário tivesse acontecido, as consequências do pouso forçado poderiam ter sido muito maiores. Mesmo assim, em 2019, a empresa MS Táxi Aéreo, responsável pelo voo, culpou o piloto pela queda.

No entanto, conforme os laudos divulgados em 2021 pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), o motivo da falha na aeronave foi a instalação invertida de um capacitor do tanque de combustível. Com isso, o piloto visualizava no painel a quantidade de combustível a mais do que havia no tanque. Esta conclusão só foi possível após simulação realizada pela Polícia Civil.

Acidentes em 2025

No total, 2025 registou 19 ocorrências aeronáuticas, sendo nove leves e três graves, além de outros sete acidentes. Entre todas as ocorrências, quatro delas foram fatais, resultando na morte de tripulantes ou passageiros.

Em 2025, no dia 30 de janeiro, o piloto Lucas Gomes Basílio Becker, 35 anos, morreu após o avião agrícola cair em fazenda de Iguatemi, a 466 quilômetros de Campo Grande. Lucas aplicava veneno em uma plantação. Relatório parcial do Cenipa indica que a perda de controle em voo é a causa da tragédia.

 

Em 11 de março, Paulo Roberto Crispim, 40 anos, caiu com a aeronave que pilotava, em uma área de plantação de cana-de-açúcar, na zona rural de Nova Andradina. Informações preliminares indicam que o piloto era experiente e ainda não há causa oficial para a queda. No entanto, o Cenipa também enquadra a ocorrência como “perda de controle em voo”.

Em 16 de setembro de 2025, o médico e pecuarista Ramiro Pereira de Matos, 67 anos, morreu em acidente aéreo no Pantanal, entre Coxim e Corumbá. A investigação, conduzida pelo Dracco e pelo Cenipa, ainda segue para apurar a causa do acidente. No entanto, informações preliminares dão conta de que as condições climáticas podem ter facilitado a queda, causando desorientação espacial. Ramiro era um piloto experiente e tinha toda a documentação necessária para pilotar aeronave com validade até agosto de 2026.

Acidentes em 2024

Em 18 de abril de 2024, um helicóptero ocupado por quatro militares do Governo do Estado caiu em Campo Grande, próximo ao Aeroporto Santa Maria. A suspeita é que a aeronave estava em treinamento e, por isso, voava baixo no momento do acidente. Um dos ocupantes foi socorrido com lesões na coluna.

(Fotos: Alicce Rodrigues/Midiamax, Fala Povo, MS Todo Dia)

Já em 16 de novembro do ano passado, um avião de pequeno porte fazia propaganda de um circo na cidade de Bela Vista, a 321 quilômetros de Campo Grande, quando caiu de bico em uma chácara. O piloto, único ocupante, apresentou apenas ferimentos leves. O Cenipa informou que “durante o voo, a aeronave executou pouso de emergência em uma área não preparada”.

Em Costa Rica, no último dia de agosto, o piloto Carlos Antônio Gomes Ortiz estaria verificando as condições de navegabilidade da aeronave experimental antes da queda. Ele e o funcionário de uma fazenda, identificado como Elison de Jesus Martines, morreram no local após a aeronave pegar fogo.

Em outubro do mesmo ano, um piloto douradense morreu após a queda de um avião agrícola em uma propriedade rural de Ponta Porã, a 315 quilômetros de Campo Grande. O acidente ocorreu nas proximidades do posto da PRF (Polícia Rodoviária) do Capey.

Em 13 de setembro de 2021, uma aeronave de caça A-29 Super Tucano apresentou falha técnica durante voo de treinamento, o que resultou na queda do avião em uma fazenda de Campo Grande. O piloto conseguiu se ejetar ao perceber a falha, direcionar a aeronave e foi socorrido.

O avião pegou fogo em incêndio que queimou dez hectares de fazenda. Conforme a FAB, o piloto foi resgatado por um helicóptero H-60 Black Hawk do Esquadrão Pelicano e não teve grandes ferimentos.

Acidentes na última década

De acordo com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) nos últimos anos o estado registrou 77 acidentes aéreos nos últimos dez anos, sendo que 17 deles causaram a morte de 24 pessoas.

O último, de repercussão internacional, matou quatro pessoas, entre elas dois cineastas e um arquiteto chinês – um dos maiores profissionais da área – na última terça-feira (23). No ano anterior, há apenas uma semana, um pecuarista paulista morreu no Pantanal enquanto viajava para uma de suas fazendas.

Midimax

Foto: Rodrigo Santosn

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