Viver em MS custa, em média, dois salários mínimos por mês, aponta pesquisa
Considerando que o novo salário mínimo para 2026 é de R$ 1.621, viver em Mato Grosso do Sul requer uma renda de pouco mais que o dobro desse valor considerando os hábitos de consumo que levam aos itens mais presentes no orçamento dos brasileiros. É o que aponta uma pesquisa divulgada pela Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, que estimou o custo de vida dos moradores do Estado em R$ 3.330 por mês.
MS está abaixo da média nacional, que é de R$ 3.520, e aparece na 14ª posição se comparado a outras unidades federativas, devido aos gastos com moradia e saúde. “Esses dois itens têm grande peso no orçamento das famílias e acabam diminuindo o gasto total do Estado”, explica Jeniffer Chagas, especialista da Serasa em educação financeira.
Os gastos com moradia que incluem itens como aluguel, condomínio ou financiamento, ficam em R$ 900 por mês para o sul-mato-grossense, enquanto no país é de R$ 1,1 mil. Já no caso da saúde o aporte é de R$ 280, muito inferior à média de R$ 540 dos brasileiros. Isso faz com que o morador do Estado seja o que menos gasta nesse segmento, que inclui desde consultas médicas, exames e medicamentos, até atividade física.
“Existem algumas explicações possíveis para que o Estado entre nesse cenário, podendo ser o maior uso da rede pública de saúde, reduzindo as despesas particulares; menor adesão a planos de saúde privados que são uma das maiores fontes de gastos na categoria como um todo; e o menor investimento em atividades físicas pagas, como academias e esportes, ou seja, não significa necessariamente que o custo seja mais baixo na região e sim que a população investe menos nesse segmento”, explica Jeniffer.
O QUE PESA NO ORÇAMENTO
A pesquisa ainda traz a fatia correspondente às contas recorrentes, como água, luz, internet, streaming, entre outros. Nesse, o Estado aparece como o terceiro com maior gasto do país, chegando a R$ 610, enquanto a média nacional é R$ 520. MS só fica atrás do Distrito Federal (R$ 640) e do Mato Grosso (R$ 670).
“Esse valor, ele pode ser explicado por três principais fatores: custo estrutural mais alto no Centro-Oeste com energia e telecomunicações; maior consumo médio por domicílio, especialmente de energia; e expansão dos usos de serviços digitais, streaming, internet, e que entram nessa categoria e que na região pode ser mais utilizado”, aponta a especialista.
Os dados também apontam os gastos dos moradores de MS com supermercado (R$ 970); compras em geral, como calçados, cosméticos e para os pets (R$ 380); alimentação fora de casa (R$ 280); lazer (R$ 340); e serviços e cuidados, como barbearia, manicure e tratamentos estéticos, por exemplo (R$ 110).
Além desses, o levantamento coloca o Estado em sétimo no ranking de gastos com mobilidade e transporte, a um custo de R$ 350. Nesse valor são considerados itens conforme o tipo de veículo utilizado, como combustível, passagem de ônibus, transporte por aplicativo, táxi, estacionamento, manutenção do veículo, entre outros.
“O principal motivo desse alto custo de combustível na região é devido ao deslocamento diário, maiores distâncias e a necessidade, muitas vezes, de ter um transporte individual na região Centro-Oeste do país”, esclarece Jeniffer.
COMO ECONOMIZAR
Sete em cada dez brasileiros tem a percepção de que o custo de vida aumentou nos últimos 12 meses, e apenas dois em cada dez consideram fácil gerenciar os pagamentos e despesas, conforme o estudo.
Apesar de ter boa parte da renda comprometida com despesas fixas e recorrentes, a especialista em educação financeira destaca que é possível ao sul-mato-grossense encontrar formas de economizar no dia a dia.
“O primeiro passo é olhar com atenção para as contas [recorrentes] mensais, especialmente porque o Estado está entre os que mais gastam com esse tipo de despesa. Muitas vezes, renegociar pacotes de internet, telefonia e serviços de streaming geram uma economia imediata sem a perda da qualidade”, orienta.
Outro ponto que considera fundamental é manter um controle constante do orçamento. “Anotar gastos, mesmo que sejam pequenos, ajuda a entender onde o dinheiro está indo e aonde há espaço para ajuste na economia. No mercado pesa no bolso também comparar os preços, planejar as compras e evitar comprar por impulso, faz total diferença no final do mês”, afirmou a especialista da Serasa, que é um serviço de proteção ao crédito.
Ela lembra que atualmente existem ferramentas de educação financeira através de cursos gratuitos, capazes de colaborar nessa reorganização das contas.
Dourados News
Foto arquivo Clara Medeiros
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