“Faroeste nas Moreninhas” chegou ao 3º assassinato entre famílias em 16 meses
(Foto: Direto das Ruas)
Aparente roteiro de vingança envolvendo duas famílias nas Moreninhas provocou três assassinatos nos últimos 16 meses em Campo Grande, sem contar com tentativa de homicídio em 2022.
O capítulo mais recente dessa sequência aconteceu no último sábado (24), quando o policial militar aposentado Nelson Carvalho Vieira, de 69 anos, e o neto Denner Vieira Vasconcelos, de 21, foram mortos a tiros enquanto estavam sentados na varanda de casa.
O autor dos disparos, Guilherme Urbanek da Rocha, de 20 anos, se entregou à polícia na manhã desta quarta-feira (28), depois de mandado de prisão temporária expedido. Ele já responde por tráfico de drogas.
Segundo apurado, Guilherme pode ter agido por vingança, porque em janeiro de 2024, o irmão dele, de 17 anos, foi executado a tiros na mesma região, supostamente por engano.
Naquela ocasião, o adolescente foi atingido por diversos disparos de 9 mm na Rua Macaba, na Moreninha III, mesmo bairro do duplo homicídio deste mês. À época, a mãe da vítima relatou que, semanas antes, um homem esteve em uma conveniência perguntando pelo paradeiro de Guilherme. Ao não encontrá-lo, teria feito uma ameaça direta: “Se não achar ele, mato o irmão”. A promessa se concretizou no dia 15 de janeiro, quando o adolescente acabou morto. O inquérito sobre o caso ainda não foi encerrado, por dificuldade de identificar os autores, segundo a polícia.
A motivação do autor do crime em 2024 também seria vingança. Em março de 2022, Guilherme Urbanek foi apontado como o responsável por invadir uma festa e atirar contra Matias Madeira de Moraes, de 20 anos, que ficou gravemente ferido, mas sobreviveu.
O crime aconteceu após uma discussão no local, quando Guilherme teria invadido a casa armado e disparado contra a vítima, que foi atingida no tórax. O autor tentou fugir, se escondendo na casa de uma tia, mas foi capturado após cair do telhado ao tentar escapar da abordagem policial. Ele negou o atentado e nunca foi indiciado pelo crime.
Desde então, sem qualquer crime esclarecido, o ciclo se retroalimentou: um atentado, uma retaliação, e outra resposta fatal.
O que depende do depoimento de Guilherme, central na investigação, é a real ligação de Denner, neto do PM aposentado, com os episódios anteriores. A família acredita que ele e o avô foram mortos também por engano, alvos escolhidos apenas pelo sobrenome ou proximidade com desafetos de Guilherme e o que provocou o primeiro atentado em 2022.

Região do Bairro Moreninhas, onde crime foi registrado. (Foto: Dayene Paz)
Paz no bairro – Enquanto o caso segue sob investigação, a vida nas Moreninhas continua. O que mais se ouve nas esquinas é a dor da perda, mas também a convicção de que a violência não define mais o bairro. “Já vivemos com muito mais medo. Hoje, mesmo com tudo, vivemos em paz”, resumiu uma moradora.
Mesmo assim, moradores das Moreninhas garantem: o bairro não é mais o mesmo de antigamente. “Aqui já foi perigoso, mas não é mais. Acontece crime como em qualquer outro lugar. Esse caso não interfere na nossa vida, eles estão se matando e se vingando”, afirmou uma moradora da região onde viveu o autor do crime, sem se identificar.
Outra vizinha lamenta a tragédia, mas também diz que o episódio não representa a realidade atual da comunidade. “A gente conheceu esses meninos desde pequenos. Infelizmente entraram nesse mundo. Nosso coração fica em pedaços, mas não muda a forma como vivemos. A Moreninha já foi muito pior do que é hoje”.
Um comerciante que conhece ambas as famílias destaca que a disputa entre grupos não reflete no cotidiano da maioria. “Infelizmente vidas se foram, mas isso não tem ligação com o bairro. São jovens tirando a vida de jovens por motivos banais. Hoje, vivemos bem aqui na Moreninha”
Campo Grande News
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