Família de fisioterapeuta se manifesta após prisão de médico: ‘Cabe às provas falarem por Fabíola’
A família também nega a versão de que a fisioterapeuta tenha tirado a própria vida e afirma que ela foi vítima de crime.

“Para a família, Fabiola foi vítima de um cruel feminicídio. Essa convicção não nasce de desejo de vingança ou de julgamento antecipado, mas das circunstâncias reveladas ao longo da investigação e dos elementos técnicos que, progressivamente, passaram a colocar sob sério questionamento a versão de suicídio inicialmente apresentada.”
Segundo a defesa da família, representada por Márcio Almeida, o que se busca neste momento é a justiça sobre os fatos. “A família não busca vingança. Busca Justiça. Fabiola já não pode falar. Agora, cabe às provas falarem por ela”, conclui.
A Justiça manteve a prisão do médico, de 78 anos, e marido da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, durante audiência de custódia, na manhã deste sábado (15). O homem é investigado no caso envolvendo a morte de Fabíola, que foi encontrada morta com perfurações de tiro na região da cabeça. Ele será encaminhado para o Centro de Triagem.
O médico foi preso após a Justiça decretar sua prisão preventiva na sexta-feira (14). A ordem de prisão foi expedida pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
O cardiologista passou por exame de corpo de delito no Imol (Instituto De Medicina e Odontologia Legal), neste sábado. O relatório apontou que ele não apresentava sinais de lesão corporal recentes. Já durante a audiência com o juiz Francisco Soliman, o homem confirmou que não sofreu maus tratos durante a prisão em flagrante ou na delegacia.
‘Prisão descabida’
De acordo com José Belga Trad, advogado do médico, a prisão com o inquérito não finalizado é “descabida”. Confira a nota na íntegra:
“Prisão descabida. O inquérito não foi concluído e o processo nem começou. A verdade precisa ser apurada no processo e para tanto é indispensável, elementar, fundamental, que o investigado e sua defesa sejam ouvidos e tenham o direito de produzir as suas provas e contestar as provas produzidas pela investigação. Isso se faz durante o processo, que nem começou, porque sequer denúncia há contra o Dr João. Vamos tomar as providências contra esse temerário decreto de prisão.”
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
A 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) instaurou inquérito para investigar o caso.
O cardiologista também foi preso, no dia da morte de Fabíola, por posse irregular de arma de fogo, após a polícia encontrar armamento sem documentação na casa.
Para os familiares da vítima, a decisão judicial assegura que os laudos periciais e os depoimentos das testemunhas sejam concluídos com “rigor técnico”. O caso segue sendo investigado.
(Reprodução, Arquivo Pessoal)
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