Indústria frigorífica dobra empregos e multiplica por 12 receita das exportações.
A indústria frigorífica de Mato Grosso do Sul atravessa um dos momentos mais sólidos de sua história. Tradicional na economia estadual, o segmento vive um novo ciclo de expansão sustentado por ganhos de produtividade, modernização industrial e pela crescente demanda mundial por proteína animal. O resultado é um avanço expressivo das exportações, geração de empregos e consolidação do Estado como um dos principais fornecedores de carne do Brasil.
Sócio da Boibras, o empresário Regis Comarella afirma que o crescimento ocorreu principalmente com o aumento da produtividade e a expansão das estruturas dos frigoríficos que já operavam no Estado. “O crescimento veio do aumento da produtividade e da expansão das plantas já existentes”, afirma.
Segundo Comarella, Iguatemi, Naturafrig, Minerva e JBS estão entre as empresas que puxaram esse avanço. Apesar do bom momento, o setor ainda enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores e não há, por enquanto, previsão de abertura de novas plantas ou ampliação das unidades existentes.
Entre 2006 e 2025, a receita obtida com as exportações de carnes bovina, suína e de frango saltou de US$ 196,1 milhões para US$ 2,47 bilhões, crescimento de 1.157%. No mesmo período, o número de trabalhadores formais passou de 20.651 para 40.656, praticamente dobrando e mantendo a indústria frigorífica como a maior empregadora entre os principais segmentos industriais de Mato Grosso do Sul.
Para o economista-chefe da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), Ezequiel Resende, a evolução do setor não ocorreu pela instalação de um grande número de novas unidades industriais, mas pela capacidade das empresas de produzir mais, com maior eficiência e competitividade.
“O setor não cresceu principalmente pela abertura de novas plantas, mas pelo ganho de escala e produtividade das operações existentes. Mato Grosso do Sul ampliou sua presença nos mercados internacionais e alcançou novos consumidores”, afirma.
Os ganhos de eficiência também aparecem na produção. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou o maior volume de carne bovina de toda a série histórica, ultrapassando 1,06 milhão de toneladas produzidas, marco que reforça a posição estratégica do Estado na cadeia nacional da proteína animal.
“Estamos no ponto mais alto da série histórica. Nunca se produziu tanta carne bovina quanto no último ano em Mato Grosso do Sul”, destaca Resende.
De acordo com Comarella, aproximadamente 65% da carne produzida permanece no mercado interno. Entre os compradores estrangeiros, a China se destaca como o principal destino da proteína produzida no Estado. O empresário afirma ainda que o avanço das exportações costuma provocar valorização da arroba do boi, com reflexos sobre o valor recebido pelos pecuaristas.
O desempenho chama atenção porque foi alcançado em um período de transformação do uso do solo. Parte das áreas antes ocupadas pela pecuária foi destinada ao cultivo de florestas plantadas, cana-de-açúcar e agricultura, sem comprometer a capacidade de produção de carne.
“O Estado reconverteu áreas para florestas plantadas, cana e agricultura, mas não perdeu participação na produção de proteína animal. Isso mostra ganhos de produtividade e eficiência”, explica o economista.
Apesar do avanço registrado até agora, Comarella considera que a redução das áreas de pastagem pode limitar bastante o crescimento do setor nos próximos anos. Na avaliação dele, os principais riscos enfrentados atualmente pelos frigoríficos são a disponibilidade de matéria-prima, especialmente de bois para abate, e a necessidade de capital de giro.
Hoje, Mato Grosso do Sul responde por cerca de 10% da produção brasileira de carne bovina e figura entre os maiores produtores do País, consolidando-se como um importante fornecedor para os mercados interno e externo.
Na avaliação da Fiems, a trajetória da indústria frigorífica simboliza uma mudança estrutural da economia sul-mato-grossense. Mais do que produzir matéria-prima, o Estado amplia sua capacidade de industrialização, agrega valor à pecuária e fortalece sua competitividade no mercado global de alimentos, transformando a proteína animal em uma das principais alavancas do crescimento econômico regional.
Campo Grande News
