O servidor estadual Roberto Carlos Mazzini formalizou uma notificação extrajudicial para tentar tirar o ex-prefeito Alcides Bernal da casa arrematada em leilão — onde Bernal matou Mazzini a tiros na tarde desta terça-feira (24).
A vítima estava com uma papelada com a documentação de notificação, datada de fevereiro deste ano, em seu carro. Durante a tarde, Roberto teria ido até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi atingido por ao menos dois tiros.
Não há informações confirmando que Roberto havia notificado Bernal anteriormente, mas um processo já pedia o cumprimento de sentença. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu. Os disparos atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal.
Casa leiloada
A casa foi a leilão após dívida por falta de pagamento do financiamento com a Caixa Econômica Federal, que tomou a residência e colocou à leilão. Paralelamente, uma sentença contra Bernal de quando foi prefeito de Campo Grande, entre 2013 e 2014, também mira o imóvel para penhora.
Na época, ele assinou aditivos no convênio com a Omep e Seleta para contratação de servidores. Conforme denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o objeto dos convênios seria “a preservação e ampliação das ações de atenção e de atendimento à criança e ao adolescente de Campo Grande”.
Entretanto, os acordos foram usados para contratar servidores para diversas áreas, sem concurso público, para atender a interesses políticos e desviar recursos públicos que desrespeitaram a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com isso, Bernal foi condenado a uma multa civil de R$ 1 milhão, em 2022. O MP entrou com ação para o cumprimento de sentença ainda naquele ano, corrigindo os valores para R$ 1.928.668,74 — o que gerou a penhora da casa, avaliada em R$ 3,7 milhões.
Entretanto, a Caixa Econômica Federal colocou o imóvel à venda por R$ 2,4 milhões.
Vítima era fiscal tributário na Sefaz
Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, era servidor público e atuava como fiscal tributário estadual, em Mato Grosso do Sul. Com cargo de fiscal tributário na Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), Mazzini recebia pouco mais de R$ 59 mil mensalmente, conforme o Portal da Transparência.
Segundo apurado pelo Jornal Midiamax, no ano de 2007, a vítima já atuava na Secretaria de Fazenda.
(Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)
