Com 16 operações, Gaeco e Gecoc traçam o mapa da corrupção em MS
Com 16 operações entre 2025 e fevereiro de 2026, o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) traçaram o mapa da corrupção em Mato Grosso do Sul.
A cada parada, o roteiro se repete. O dinheiro público, aquele que deveria custear os serviços no município, é drenado por gestores, servidores e empresários. O conluio transforma verba pública em propina. O número de operações ainda revela que a corrupção é insidiosa, se espalhando de forma sorrateira pela administração pública.
1) Lucro Certo (Coxim)
A ofensiva mais recente foi em Coxim, a 253 km de Campo Grande. Batizada de Lucro Certo, a operação apontou a existência de contratos celebrados, sem licitação, entre a Prefeitura de Coxim e empresa de advocacia.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) constatou que, na fase de execução, foram pagos mais de R$ 1,5 milhão à empresa contratada, mesmo sem que houvesse prestação de serviços ou resultado econômico positivo aos cofres públicos.
2) Cartas Marcadas (Rio Negro e Corguinho)
Os alvos foram contratos das prefeituras de Rio Negro e Corguinho. Segundo o MP, a organização criminosa se valia de servidores públicos corrompidos para frustrar o caráter competitivo de licitações públicas, direcionando os respectivos certames. Os contratos se aproximam dos R$ 9 milhões.
3) Collusion (Terenos)
Segundo as investigações, o grupo simulava concorrência por intermédio de empresas que pertenciam ao mesmo núcleo empresarial, compartilhando estrutura e recursos para induzir os órgãos públicos ao erro em procedimentos de dispensa de licitação. O alvo foi o poder público em Terenos.
4) Simulatum (Terenos)
A operação apurou fraudes em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som. Para esta investigação, a Justiça concedeu sete ordens de busca e apreensão. O alvo foi a administração pública em Terenos.
5) Apagar das Luzes (Campo Grande)
As investigações indicam a ocorrência de reiteradas fraudes nos processos licitatórios, bem como nos contratos firmados para a execução do serviço de manutenção do sistema de iluminação pública de Campo Grande, já tendo sido identificado superfaturamento superior a R$ 62 milhões.
6) Dirty Pix (Sidrolândia)
A ação identificou o desvio de R$ 5,4 milhões em recursos públicos destinados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa. O valor foi repassado pelo Estado ao município de Sidrolândia para a compra de um aparelho de ressonância magnética e uma autoclave hospitalar. Segundo apurado, parte desse valor foi desviado pela administração do hospital, em conluio com a empresa fornecedora, a qual também pagou vantagens indevidas a vereadores de Sidrolândia.
7) Fake Cloud (Itaporã)
Grupo criminoso atuava fraudando, sistematicamente, processos de contratações públicas por dispensa de licitação, voltados ao fornecimento de licença de sistemas de backup de dados em armazenamento em nuvem para o Poder Executivo Municipal de Itaporã, desde 2022.
8) Águas Turvas (Bonito)
O MPMS constatou a existência de esquema para fraudar licitações de obras e serviços de engenharia no município de Bonito, desde 2021. São inúmeras licitações fraudadas mediante simulação de concorrência e previsão de exigências específicas estipuladas para direcionar o objeto do certame às empresas pertencentes ao grupo criminoso.
9) Copertura (Miranda)
Foi investigada fraude a licitações de diversos tipos de produtos no município de Miranda, desde 2020, por meio do conluio de empresários que forneciam propostas ou orçamentos “cobertura” e contando com atuação decisiva de agente público no esquema criminoso.
10) Spotless (Terenos)
A investigação constatou a existência de organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública instalada no município de Terenos, com núcleos de atuação bem definidos, liderada por um agente político, que atuava como principal articulador do esquema criminoso. O prefeito Henrique Budke (PSDB) chegou a ser preso. Ele está afastado do comando da prefeitura. Os contratos sob suspeita somam R$ 15 milhões.
11) Auditus (Nioaque)
A operação identificou fraudes em licitações para a contratação de empresa de serviços de especialidade médica com a Prefeitura de Nioaque. O potencial de dano é de R$ 3 milhões, entre os anos de 2019 e 2024.
Campo Grande News
Siga nossa página no Instagram: instagram.com/plantaoregional
Siga nossa página no Facebook: fb.com/plantaoregionalms
