Mesmo após acordo, Santa Casa não paga médicos e sindicato se reúne com MPMS

Apesar do acordo firmado entre a Santa Casa de Campo Grande, a Prefeitura, o Governo do Estado e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que prevê repasses de R$ 54 milhões em recursos ao hospital até abril de 2026, médicos do hospital ainda não tiveram os pagamentos regularizados.

A informação foi confirmada nesta quinta-feira (15) por Marcelo Santana Silveira, presidente do Sindmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul). Segundo ele, a Santa Casa não realizou o repasse aos profissionais e, na noite desta quinta, participa de uma reunião com o MPMS e sindicato para tratar do impasse.

Relatos de familiares indicam que pacientes da Santa Casa de Campo Grande tiveram seus procedimentos cirúrgicos cancelados devido à falta de repasse. A sobrinha de um idoso de 88 anos, internado no hospital desde segunda-feira com uma fratura exposta no dedo da mão, relata que o familiar estava com cirurgia agendada para esta quarta-feira (14).

Ele chegou a passar o dia em jejum. No entanto, poucas horas antes, os familiares foram comunicados sobre o adiamento do procedimento. Segundo a mulher, no prontuário constava a falta de pagamento da equipe médica.

“Meu tio é idoso, ficou em jejum ontem o dia inteiro para poder fazer cirurgia. Não fez porque o médico não recebeu. Então assim, maltrata o idoso que já tá internado, já tá debilitado. Meu tio tem problema de demência, então, é muito difícil. Além disso, temos uma conhecida que está na Santa Casa, verificando se consegue transferência para o Pênfigo, porque é a mesma situação: ela não fez a cirurgia por falta de pagamento do médico”, explica.

Acordo

O acordo prevê que a Prefeitura de Campo Grande e o Governo do Estado façam uma complementação financeira à Santa Casa. Ao todo, a instituição deve receber R$ 54 milhões, valor que será repassado em quatro parcelas mensais, entre janeiro e abril de 2026. Os recursos visam regularizar os atendimentos, além de garantir o pagamento de médicos e colaboradores.

Dos repasses municipais, cerca de R$ 10 milhões são referentes a acordos com empresas, além de um aporte direto de R$ 5,2 milhões, também dividido em quatro parcelas.

Já o Governo do Estado deve enviar um montante extraordinário de R$ 14 milhões, igualmente parcelado em quatro repasses mensais e consecutivos de R$ 3,5 milhões, entre janeiro e abril de 2026. Ambos os repasses têm o dia 10 do mês como prazo.

A reportagem acionou a Santa Casa, questionando a falta de repasses aos médicos. O espaço segue aberto para posicionamento.

Midiamax

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