O levantamento “Idam 2025” identificou 150 municípios com desenvolvimento agropecuário considerado “muito alto” no país. A concentração de destaque é na região Centro-Oeste, que reúne 17 dos 20 primeiros colocados, englobando municípios de Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso.

Na comparação com a edição anterior do ranking, São Gabriel do Oeste foi um dos que mais avançaram, saltando 14 posições, da 29ª para a 15ª. Rio Brilhante também registrou um avanço expressivo, subindo do 20º para o 10º lugar. Por outro lado, Maracaju e Sidrolândia tiveram uma leve variação negativa, caindo da 6ª e 5ª posições de 2024, respectivamente.
O documento também ressalta a dinâmica do setor. Na faixa de desenvolvimento “muito alto” (Idam acima de 0,8), houve a troca de 13 municípios: 13 que estavam na faixa “alta” subiram, enquanto outros 13 fizeram o caminho inverso, demonstrando a dinamicidade dos resultados e a importância do acompanhamento das políticas para o setor.

Investimento, tecnologia e desburocratização
Gestores dos municípios de MS que se destacaram na edição do estudo deste ano, atribuem os bons resultados a um conjunto de ações que unem investimentos em infraestrutura, incentivos para a industrialização, desburocratização e apoio tecnológico aos produtores. As estratégias, segundo eles, foram fundamentais para fortalecer não apenas a produção, mas também a geração de emprego, crédito e arrecadação.
Rio Brilhante, que saltou da 20ª para a 10ª posição no ranking nacional, implementou um plano de incentivo para a industrialização do município, com a doação de mais de 30 áreas inutilizadas para empresas ligadas ao agronegócio. O prefeito Lucas Foroni (MDB) destaca também o empenho na desburocratização dos processos. “Uma empresa que leva às vezes 10 dias, 15 dias, 30 dias para ser aberta, hoje a gente consegue garantir que o que depende da prefeitura leve prazo máximo de 24 horas” afirmou.
O município ainda criou um fundo de crédito para incentivar pequenos produtores, com aportes para um laticínio e uma fábrica de ração, além de fomentar a psicultura. Foroni cita também os investimentos na melhoria das estradas vicinais como um fator que reduz custos para o produtor. “Tendo a estrada boa, ele vai estar investindo na terra dele. Então, na parte da produção melhora e também sobra dinheiro pra ele investir no município” explicou.

Em São Gabriel do Oeste, que avançou 14 posições e alcançou o 15º lugar, o desempenho é atribuído à integração entre produtores, cooperativas, indústrias e o poder público. O município registrou na safra 2024/2025 uma produtividade de 74,78 sacas de soja por hectare, bem acima da média estadual de 51,78 sacas.
O prefeito Leocir Montanha (PSD) afirmou que o reconhecimento reflete o esforço coletivo. “Reflexo do esforço de nossos produtores, da inovação no campo e da gestão responsável que busca fortalecer cada elo da nossa economia” declarou.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Adão Unírio Rolim, ressaltou a solidez da cadeia produtiva local. “Temos uma cadeia produtiva sólida e diversificada, que vai da agricultura à agroindústria. Esse avanço mostra que o trabalho conjunto está dando frutos” disse.

Já em Maracaju, que ocupa a 7ª posição nacional, o prefeito Marcos Calderan (PSDB) aponta os contínuos investimentos em infraestrutura como pilar para o crescimento.
Segundo ele, foram construídas 14 pontes de concreto na zona rural com recursos próprios do Imposto Territorial Rural (ITR). “Estamos investindo desde o início da outra gestão em infraestrutura, cuidando das estradas que escoam a nossa safra” comentou.
Calderan também mencionou a finalização de um novo aeroporto, em parceria com o Governo do Estado, com uma pista de 1.700 metros para atrair investidores e dar mais agilidade aos empresários.
O prefeito ressaltou o papel da tecnologia no campo, com o apoio da Fundação MS, para o aumento da produtividade. “Isso aí que faz com que a gente, mesmo não sendo o maior município, a maior extensão territorial, a gente seja o mais produtivo” finalizou.
A reportagem tentou contato também com o prefeito de Sidrolândia, Rodrigo Basso (PL), mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Vale destacar que o estudo busca superar a análise focada apenas no Valor Bruto da Produção, critério utilizado em outras publicações do setor. O índice adotado pela Confederação é composto por quatro dimensões: produção e produtividade; geração de emprego formal; captação de crédito agrícola e pecuário; e arrecadação do Imposto Territorial Rural (ITR). A pontuação varia de 0 (muito baixo) a 1 (muito alto).
Foto: Divulgação/CNA
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