Alvo de pistoleiros, brasileiro seria “testa de ferro” de Barão da Droga

O empresário brasileiro Wilson Fernandes Gonçalves, o “Cheiro”, alvo de atentado praticado por oito pistoleiros na manhã desta terça-feira (29) na fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul, seria “testa de ferro” de Jarvis Chimenes Pavão, o “Barão da Droga”, atualmente cumprindo pena na Penitenciária Federal de Brasília.

De acordo com meios de comunicação do Paraguai, “Cheiro” teria se apossado de alguns bens de Jarvis Pavão e por isso estaria sendo ameaçado pela organização criminosa liderada pelo narcotraficante.

Segundo o jornal ABC Color, o mais influente do país vizinho, há algum tempo, Wilson Fernandes – brasileiro de 59 anos de idade naturalizado paraguaio – é alvo de investigações da Polícia Nacional e da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.

Ele também chegou a ser investigado como suspeito de planejar o megaassalto contra o depósito da transportadora de valores Prosegur, em 24 de abril de 2017, em Ciudad Del Este. Pelo menos 11,7 milhões de dólares foram levados por quase 50 bandidos armados naquele que é considerado o maior roubo da história do Paraguai.

Conforme documentos obtidos pelo ABC Color, no dia 3 de abril de 2017, quando estava recolhido num presídio militar em Asunción, Jarvis Chimenes Pavão recebeu a visita de Wilson Fernandes Gonçalves e três chefes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em Pedro Juan Caballero na época. Dois deles – Alex Sandro Magalhães dos Santos e Diego Santos Silva – foram apontados como os “cabeças” do assalto à Prosegur.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal paraguaio, a visita daquele 3 de abril de 2017 a Jarvis Pavão seria para consolidar o plano do assalto, cujo dinheiro seria usado para resgatar o “Barão da Droga” da prisão.

Entretanto, o resgate nunca aconteceu porque Jarvis foi extraditado para o Brasil em dezembro de 2017. O roubo e o suposto plano de resgate inspiraram a série brasileira “DNA do Crime”, da Netflix. Apesar das suspeitas, “Cheiro” não chegou a ser oficialmente acusado pelo roubo.

Alvo de pistoleiros, brasileiro seria “testa de ferro” de Barão da Droga

Os dois carros usados pelos pistoleiros, abandonados após troca de tiros (Foto: Direto das Ruas)
Atentado – Na manhã de ontem, oito homens armados com fuzis e pistolas ocupando dois carros – um Fiat Siena roubado e um Nissan Versa locado no Brasil – chegaram a um barracão no bairro San Blas, onde fica o “escritório” de Wilson Fernandes Gonçalves.

O grupo usava coletes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) e simulou uma operação no barracão, mas foi repelido a tiros por quatro guarda-costas do empresário. Houve intenso tiroteio. Mesmo em maior número, os pistoleiros recuaram e abandonaram os dois carros.

Também deixaram para trás um dos atiradores, Jaime Veron Florentin, 31. Atingido por tiros na coxa direita e no lado esquerdo da barriga, Jaime foi detido pelos capangas de “Cheiro” e entregue à polícia. Ele estava com um fuzil Colt M4 calibre 5,56.

O também paraguaio Marcelo Ariel Samudio Benitez, 27, apontado como um dos pistoleiros, foi preso quando fugia a pé do local do atentado. Os demais ainda não foram localizados.

Câmeras – A Polícia Nacional também prendeu três guarda-costas de Wilson Fernandes e um veterinário, que trabalha para o brasileiro e estava no barracão.

Outros dois suspeitos presos foram Luis Carlos Aldana Agüero, 33, e Miguel Rosalino Candado Villalba, 48, funcionários de uma empresa de monitoramento que instalaram câmeras em frente ao barracão. No celular de Jaime Florentin, os policiais encontraram um aplicativo que permitia acompanhar imagens em tempo real da movimentação do local.

Outro detalhe apurado pelos investigadores paraguaios é a ligação de Jaime Florentin com a família do narcotraficante Clemencio González Giménes, o “Gringo González”, executado com 48 tiros em 5 de maio de 2024.

O pistoleiro era um dos seguranças de Charles González Coronel, filho de “Gringo”, assassinado por pistoleiros em setembro de 2023. A morte de Charles deflagrou guerra entre “Gringo” e grupos rivais, culminando na morte do patriarca, em maio do ano passado.

Campo Grande News

(Foto: Direto das Ruas)

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