Nesta quarta-feira (28), a PF (Polícia Federal) realizou mais uma operação referente às investigações do assassinato do advogado de Mato Grosso, que prendeu cinco pessoas.
O grupo se autointitulava “Comando C4” ou “Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos” e tinha até mesmo uma tabela com possíveis alvos para execução.
A ação foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin, responsável pelo inquérito, já que envolve até mesmo o STJ.
Tabela de assassinatos
O grupo tinha tabela com preços para possíveis alvos de assassinatos; por exemplo, ‘figuras normais’ valiam R$ 50 mil, já deputados valiam R$ 100 mil, morte de um senador custaria R$ 150 mil e, por fim, ministros ou membros do Judiciário poderiam ser executados sob valor de R$ 250 mil.
Foram presas as seguintes pessoas:
- Anibal Manoel Laurindo – empresário e produtor rural que seria o mandante;
- Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas – coronel do Exército, suposto financiador;
- Antônio Gomes da Silva – suposto atirador;
- Hedilerson Fialho Barbosa – suposto intermediador, auxiliar do atirador e dono da pistola 9 mm usada no assassinato de Zampieri;
- Gilberto Louzada da Silva – integrante.
Outros alvos passarão a ser monitorados por tornozeleira eletrônica: Salezia Maria Pereira de Oliveira, Davidson Esteves Nunes, Peterson Venites Komel Junior e José Geraldo Pinto Filho.
Várias armas como fuzis e pistolas com silenciador foram apreendidas durante a operação nesta quarta-feira.
Essa nova operação da Polícia Federal corrobora o que já havia sido revelado pela Polícia Civil no ano passado. Aníbal teria mandado matar Zampieri por conta de uma disputa de terra de R$ 100 milhões.
Quem é Andreson Gonçalves?

Preso desde novembro do ano passado, o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves é peça-chave na investigação que apura suposta venda de decisões judiciais em tribunais como o TJMS e STJ.
Recentemente, pessoas ligadas a Andreson apontaram que ele estaria avaliando uma delação premiada. No entanto, a esposa dele, advogada Mirian Ribeiro, negou tudo.
O lobista é considerado peça-chave em investigações e está preso por suspeita de intermediar venda de sentenças. A partir dele, foram desencadeadas as operações Ultima Ratio, em Mato Grosso do Sul, e Sianmes, em Mato Grosso. Além disso, a Polícia Federal investiga atuação de servidores em ao menos três gabinetes do STJ, a segunda Corte mais importante do país.
Atualmente, as investigações são tocadas pelo ministro do STF, Cristiano Zanin. No dia 22 de abril, o magistrado prorrogou por tempo indeterminado o afastamento de quatro desembargadores do TJMS (Tribunal de Justiça de MS).
Recentemente, o Jornal Midiamax mostrou que Andreson reclamou de estarem ‘forçando’ uma delação. Agora, após a transferência, a defesa de Andreson compara a situação com métodos da Lava Jato e diz que a mudança seria uma forma de ‘tortura’ para tentar obter delação premiada.
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Operação que prendeu lobista é desdobramento de ação em MS
A operação Sisamnes é desdobramento da Operação Ultima Ratio, que afastou cinco desembargadores de MS por suspeita de venda de sentenças.
Equipes cumpriram mandados nas casas dos desembargadores de MT, Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho. Os dois já estavam afastados desde agosto por decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Foram afastados dos cargos: Sérgio Fernandes Martins — que foi autorizado a voltar às funções desde 10 de dezembro —, além dos desembargadores Vladmir Abreu, Sideni Pimentel, Alexandre Aguiar Bastos e Marcos José de Brito Rodrigues — que voltaram às suas funções em abril. Além deles, o ministro também determinou afastamento do conselheiro Osmar Jeronymo, do TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de MS).
Dessa forma, Andreson é apontado como intermediador de venda de sentenças. Relatório da investigação da PF mostrou laços que o lobista mantinha com o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha, também investigado.
Em nota, a PF diz que investiga também “negociações relacionadas ao vazamento de informações sigilosas, incluindo detalhes de operações policiais”.
Conforme as investigações, Andreson tinha acesso privilegiado a decisões antecipadas de ministros do STJ. Assim, vendia sua influência para garantir decisões favoráveis a advogados.
Midiamx
