A situação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), vai se complicando a cada nova revelação sobre a delação do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral. Oeste obteve um vídeo com trechos do depoimento de Cabral em que o político fluminense acusa o magistrado de ter recebido dinheiro para favorecer dois prefeitos de municípios do Estado do Rio na época em que atuava no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso foi revelado inicialmente pela revista Crusoé e pelo jornal Folha de S.Paulo.

Toffoli foi ministro da Corte entre 2012 e 2016. Ele ocupou a presidência do TSE por dois anos, de maio de 2014 a maio de 2016. “O ministro Dias Toffoli lidera um grupo de pessoas para busca de vantagens indevidas e eu sou testemunha disso porque participei, inclusive diretamente, de pagamentos de vantagens indevidas”, denunciou Cabral em seu depoimento.

 

“Tive informação da prefeita Branca Motta, do município do Bom Jesus do Itabapoana, no noroeste fluminense […]. Ela me relatou, em 2014, que tinha sofrido uma derrota no TRE-RJ [Tribunal Regional Eleitoral do Rio] e estava recorrendo para não ser cassada no TSE”, relatou o ex-governador.

Segundo Cabral, a prefeita contou com a colaboração de um advogado de Brasília que atuava frequentemente junto aos tribunais superiores para ser beneficiada por Toffoli. “Ele [advogado] foi contratado, parte foi recebida por dentro e parte foi recebida por fora. Em dinheiro vivo, foi R$ 1 milhão de reais pagos a Antonio Dias Toffoli. […] Com isso, obteve-se o voto do ministro Dias Toffoli e salvou-se o mandato da prefeita Branca Mota”, diz Cabral.

“Tenho conhecimento também de outros casos, de que não participei diretamente, de outros políticos do meu grupo que tiveram esse mesmo caminho”, completou o ex-governador do Rio.

Como noticiamos na sexta-feira 21, a Polícia Federal (PF) garante ter conseguido e-mails, agendas, mensagens de aplicativos e outros registros que corroboram a delação de Cabral. Os documentos ajudaram a embasar o pedido de abertura de inquérito contra Toffoli, feito pela PF na semana passada.

Os investigadores veem na papelada indícios da relação de Cabral com o ex-policial José Luiz Solheiro, que seria o intermediário de Toffoli e da esposa, a advogada Roberta Rangel. Solheiro também atuou como segurança do ex-governador Luiz Fernando Pezão, cuja agenda contém registros de encontros entre o ex-governador e Solheiro em períodos próximos à decisão supostamente comprada, em 23 de junho de 2015. Em nota, Toffoli disse que desconhece a denúncia.

Sérgio Cabral está preso desde novembro de 2016 por desvios cometidos em sua gestão como governador do Rio. Ele tem 18 condenações no âmbito da Lava Jato que somam mais de 342 anos de prisão a serem cumpridos.

Assista um trecho do depoimento de Sérgio Cabral sobre Toffoli:

Revista Oeste

capa: Ex-governador do Rio Sérgio Cabral acusa o ministro Dias Toffoli, do STF, de ter vendidos sentenças na época em que atuava no TSE | Foto: Reprodução