Ministro inventa o flagrante perpétuo

Para capturar o deputado federal Daniel Silveira, o ministro Alexandre de Moraes produziu duas invencionices que só não espantaram seus colegas do Supremo Tribunal Federal. Todos muito criativos, os integrantes do Timão da Toga já não se espantam com nada. O país é que não para de espantar-se com eles.

Ministro Alexandre de Moraes durante a sessão da 1ª Turma. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF (18/02/2020)

A primeira novidade foi expedir um mandado de prisão em flagrante, que dispensa a expedição de mandados. A segunda foi o flagrante permanente (ou eterno). Até esta semana, considerava-se em flagrante delito quem está cometendo uma infração penal, ou acabou de cometê-la, ou tenta afastar-se do local de um crime que evidentemente havia cometido.

Antenado com a era da internet, Moraes decidiu que autor de um vídeo com ofensas ao STF pode ser preso em flagrante enquanto a prova do crime estiver disponível no mundo virtual. Se é assim, estão em perigo neste momento Lula, José Dirceu, Wadih Damous e Roberto Requião.

O ex-presidente presidiário acusou o Supremo de “covarde”. O ex-ministro com várias passagens pela cadeia afirmou que o Poder Judiciário está morto; só falta enterrar. O ex-senador paranaense e o ex-deputado fluminense acham que o STF precisa ser fechado. Tanto os vídeos não sumiram da internet que estão logo abaixo, ilustrando este texto.

Os leitores desta coluna estão convidados a mandar as imagens e o áudio para Alexandre de Moraes. E o ministro está convidado a provar que qualquer um que ameace ou insulte o Supremo vai para a gaiola. Mesmo que pertença ao grande grupo dos bandidos de estimação.

 

AUGUSTO NUNES, R7.

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