Após 9 meses fechadas, escolas de MS recebem 84 mil alunos para o Enem

Com regras de biossegurança, primeira fase do exame será realizada neste domingo em 41 municípios de MS

Após nove meses de escolas fechadas, aulas a distância e polêmicas envolvendo o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em razão da pandemia do novo coronavírus, a primeira fase da prova será realizada neste domingo em Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Estado tem 84.634 pessoas inscritas para prestar o exame. O número é maior do que o registrado em 2019, quando 70.396 se inscreveram.

A prova ocorrerá em 41 municípios de Mato Grosso do Sul. Serão 135 escolas da Rede Estadual de Ensino (REE) utilizadas para o exame, 21 delas em Campo Grande.

Na Capital, inclusive, está concentrado o maior número de inscritos, 34.458 pessoas, seguida de Dourados, com 8.067 inscrições, Três Lagoas, 4.533 inscritos, Corumbá, 4.211 pessoas, e Ponta Porã, 3.255 inscrições.

Entre os desafios da prova deste ano, o principal deles é a biossegurança. Com a pandemia, os participantes devem estar atentos às regras para evitar o contágio pela Covid-19.

No edital do exame estão previstas as medidas que devem ser adotadas, e o descumprimento destas poderá levar à eliminação dos candidatos. Quem não estiver usando máscara, por exemplo, não poderá fazer a prova.

Além de todo o nervosismo, os alunos precisam lidar com as medidas de biossegurança e o medo da contaminação. Bruno Odilon Favoreto Ferreira, de 22 anos, vai levar duas garrafas de água e álcool em gel no dia do exame.

Há três anos ele faz cursinho preparatório e vai encarar agora o quarto exame em busca da aprovação no curso de Medicina.

“Estou preparando meu álcool em gel e levando mais de uma garrafa de água, para não precisar ficar levantando. Vou tentar ser um dos primeiros, para sentar no fundo, no canto da parede, para ninguém passar ao meu lado”, planeja.

A estudante Jéssica Vieira, 23 anos, também está se preparando como pode. Decidiu estudar com máscara em casa, para treinar e evitar um desconforto no dia.

“Durante a prova, vamos precisar passar bastante tempo com ela, então comecei a usar, para que eu não tenha nenhum problema ou desconforto. Enfim, para estar realmente adaptada para aquele momento”, pontua.

Apesar do medo, a infectologista Mariana Croda acredita que existem outras situações mais perigosas do que o Enem.

“Em eventos com aglomeração como o Enem, se tomadas todas as medidas [de biossegurança] não terá impacto nenhum [no número de casos da Covid-19]. Os eventos que geraram e geram mais impactos são eleições, feriados e festas de fim de ano. Eu não me preocuparia com a prova nesse cenário”, afirma Croda.

Outra regra imposta pela organização do exame é o distanciamento social. De acordo com o Inep, as carteiras estarão dispostas de forma a assegurar a distância entre os participantes.

Quem for diagnosticado com Covid-19, apresentar sintomas da doença ou de outra enfermidade infectocontagiosa até a realização do exame deve comunicar o Inep. Esses candidatos terão direito de participar do Enem nos dias 23 e 24 de fevereiro.

DESAFIOS

Com a pandemia e as escolas fechadas em função do risco de contaminação, os alunos precisaram se adaptar ao ensino a distância. A ausência das aulas presenciais evidenciou dificuldades já existentes, mas que tornaram latentes os problemas sociais.

Muitos não têm acesso à internet ou um computador para poder realizar as atividades, e a sala de aula acaba sendo o único ambiente de conhecimento.

A estudante Iuanacelly de Oliveira, de 17 anos, não esconde o desânimo com a prova e as dificuldades que enfrentou neste ano para se preparar para o exame.

“Estudar pela rede pública neste ano foi muito difícil. Pelo menos na minha escola não tivemos aula com professor on-line. Eles postaram vários links com conteúdo em vídeo no YouTube e depois nos passavam as provas. O estudo foi, na verdade, cada um por si”, afirma Iuanacelly.

De acordo com o professor e coordenador de um curso particular preparatório do Enem Fernando Barney, muitos alunos desistiram de prestar a prova e alguns utilizarão o exame deste ano como teste.

“A expectativa e o desempenho para a prova é uma grande incógnita. O ano passado foi muito atípico. Temos alunos que simplesmente desistiram. O aluno fala que não dá conta de estudar sozinho em casa, e, às vezes, não é nem questão de não ter internet ou computador, não é nada disso – foi o aluno que não se adaptou à nova realidade”, explica.

É o caso de Iuanacelly. “Além da ansiedade comum de todo vestibulando, também não me sinto preparada para realizar o Enem por causa do estudo precário que nos foi passado on-line, então, sinceramente, não tenho nenhuma expectativa nesse exame, vejo mais como um teste”, pondera.

O professor frisa que, apesar de ter ocorrido uma diminuição no número de alunos no curso preparatório, muitos estudantes conseguiram romper as dificuldades do ensino a distância e mantiveram o pique para os estudos.

“Tivemos alunos que mostraram um desempenho excepcional, que souberam aproveitar o tempo”, explica Barney.

Jéssica Vieira foi uma das alunas que deslancharam com as aulas a distância. A vestibulanda, que já iniciou uma faculdade, disse que o curso de Engenharia estava longe do que queria e logo criou estratégias e correu atrás do prejuízo para conseguir entrar no sonhado curso de Medicina.

“Tento assistir todas as aulas para absorver o máximo de conhecimento possível. Sempre tento fazer todos os exercícios e, além das listas, fazer os de material de apoio. Não dá para fazer todos e conciliar tudo, mas sempre tento focar nos que eu tenho maior dificuldade”, afirma.

“Eu achei que seria bem complicado ficar longe da sala de aula, mas, na verdade, acabou me ajudando bastante a reconhecer meus limites e minha capacidade e também a focar no meu objetivo. Eu sei que a Medicina é o meu sonho, é isso que eu quero, então o ano passado foi para eu não perder tempo e correr atrás do meu objetivo”, acredita.

Jéssica diz que, apesar de o ano ter sido bem atípico, as dificuldades a auxiliaram a ficar mais forte e saber aproveitar melhor o tempo focando no que interessa. Ela ainda ressalta a importância do apoio que recebe dos professores durante os estudos.

“Uma coisa que me ajudou bastante foi a força que os professores nos passaram, porque para eles foi muito puxado, conciliando o trabalho em casa para dar aula on-line. Mesmo com todos os desafios, eles estavam lá firmes e fortes. Todo o suporte que eles nos deram foi essencial para nos manter animados, firmes”, frisa.

Ao contrário de Iuanacelly, Bruno estuda em um colégio privado que oferece curso preparatório e amparo para a prova. Mesmo assim, não tem muitas esperanças.

“Eu fico desesperançoso, por ter estudado, me dedicado e na hora poder não ter a aprovação”, coloca o jovem. No entanto, ele defende que, mesmo diante das dificuldades do ensino a distância, teve todo o amparo.

“Eles estavam sempre passando aulas. Sempre que eu tinha qualquer dúvida, eu conseguia ter contato com os professores”, afirma. (Colaborou Ana Karla Flores)

 

Fonte: Correio do Estado

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